Como sobreviver à realeza é exatamente tudo que a premissa promete: uma história recheada de todos os maiores clichês de comédias românticas e histórias reais que existe. Tudo isso pelos olhos de uma protagonista cheia de sarcasmo e com muito para comentar. Exatamente por isso, o primeiro livro da série da Rachel Hawkins, publicado aqui pela Editora Alt, roubou meu coração.
A irmã mais velha de Daisy vai se casar, mas não é um casamento qualquer. Ela vai se casar com o príncipe da Escócia (um duque, mas detalhes). O que coloca Daisy no radar de potenciais escândalos e a obriga a viajar para a Escócia a fim de ser monitorada pelas próximas semanas, pelo menos enquanto o estouro da notícia estiver se espalhando.
O que deveria ser um "controle de danos" na verdade a coloca na linha de muitas confusões. Tudo isso porque Daisy precisa conviver com os Rebeldes Reais, grupinho liderado pelo irmão do noivo de sua irmã - outro príncipe - e seus amigos nobres. Além, é claro, do potencial para desastres que a Daisy coleciona, e o excesso de farpas na língua. Se ela conseguir sobreviver a esse verão na Escócia, não vai ser sem muitos perrengues.
Esse livro é absolutamente tudo que me prometeram e muito mais. Ele é simples em sua concepção e desenvolvimento e por isso TÃO BOM. É aquele tipo de leitura pra quando você precisa relaxar e quer rir à toa, o tipo de história para te deixar sorrindo e te divertir com besteiras da vida nobre.
A Daisy é uma protagonista maravilhosa por isso. Ela não tá nem aí para nada em relação à etiqueta e cuidados e passa pelo drama de "estou sendo OBRIGADA a viajar para a ESCÓCIA para morar num CASTELO e conviver com a NOBREZA!!!!" que é muito engraçado pelo livro não levar isso a sério.
"Na semana passada, eu estava trabalhando em uma loja de conveniência, estudando para o vestibular e passando tempo com Isabel. Hoje, estou a caminho de um castelo."
A partir do momento em que chega nas terras altas, a confusão é certa. Daisy é um poço de sarcasmo e comentários afiados e causa onde quer que vá, sempre sem querer. A cena com a mulher com o chapéu de Garibaldo me fez rir até chorar. O humor funciona muito bem justamente pela naturalidade com que é inserido nos pensamentos da personagem; ela é carismática e destrambelhada e ganhou todo o meu coração. Ela não é perfeita, também, mas isso torna esse amontoado de clichês um pouco mais realista justamente por isso.
Suas relações com os membros da família real - Alex, o noivo de sua irmã, Sebastian, o irmão do noivo, e os Rebeldes Reais (principalmente Miles) - são ótimas. Ela vai de respeito a desprezo e deboche e não saber lidar com toda pompa e circunstância, mas também descobre que dentro de todo esse teatro tem vários segredos e reviravoltas inesperadas.
Sebastian foi o mais babaca da história e logo que apareceu eu fiquei com um pé atrás, com medo que ele fosse o interesse amoroso da Daisy. Mas, com a graça dos kilts, ele não é. Está ali para ser um pequeno infortúnio e para ter alguns momentos chocantes na trama, mas é um príncipe mimado que merecia bons socos na cara.
Miles, por outro lado, é um daqueles mocinhos de comédia romântica que eu tanto amo. Ele aparece ranzinza e frio e cheio de comentários afiados para cima da norte-americana atrevida, e aí os dois se tornam inimigos de imediato. Aqui rola um hate to love PODEROSÍSSIMO com toques de enemies to lovers também que são dois dos meus tropes de ship favoritos. Quase morri? Com certeza.
"Ele tem mãos bonitas, elegantes e com dedos longos, provavelmente perfeitas para apontar para as coisas de forma autoritária."
Ele e a Daisy são todos bicadas e caretas e comentários sarcásticos um para o outro, mas também rola uma identificação e aquele princípio de "talvez a pessoa não seja tão ruim assim".
Ah, e esse livro usa e abusa de clichês, como eu disse, o que significa que tem: pneu furado e chuva e personagens presos em um abrigo temporário, conversas em frente à fogueira, personagem que na verdade ama outra personagem, drama na mídia, FAKE DATING!
Enfim, uma farofa de tudo que havia de melhor em fanfics e romcoms clássicas. Ou seja: o paraíso.
"- Estou sendo babaca. Mas sou um babaca que vai te ajudar."
A família da Daisy é outro ponto muito importante da história, e muito bem desenvolvido. Sua relação com El, a irmã, é brusca e um pouco complicada porque El é o motivo para a Daisy ter perdido seu verão na Escócia (queria eu estar sofrendo assim...). Mas também tem a questão de que, naquele ambiente, Daisy finalmente entende o peso das cobranças e do que vai significar se tornar uma princesa, e o quanto isso está cobrando silenciosamente de sua irmã.
Os pais dela são umas figuras - o pai principalmente - e ajudam com o alívio cômico. Assim como Isabel, melhor amiga da Daisy, ajuda com as fofocas e os cutucões para que Daisy saia da sua zona de conforto e aproveite a viagem.
Esse livro é perfeito no que propõe e muito divertido por isso. Não é nenhuma trama elaborada e nem tem grandes questões filosóficas sobre nobreza e realeza; é uma comédia romântica que poderia facilmente ser um filme da Hallmark - E POR ISSO EU AMO TANTO!
"- Vim aqui jogar todo seu chá no mar e casar com todos os seus príncipes."
Se você gosta de clichês, de protagonistas divertidas e de uma boa dose de romance, Como sobreviver à realeza é o livro certo. E eu mal posso esperar pela sequência, Sua Alteza Real, porque são TODOS ESSES CLICHÊS numa história SÁFICA! Deus abençoe.