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    Campo de Batalha: Terra - uma saga no ano 3000

    L. Ron Hubbard

    Record
    1982
    888 páginas
    1d 5h 36m
    ISBN-7: 01912/5
    Português Brasileiro
    4.1
    143 avaliações
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    O Homem é uma espécie ameaçada de extinção - O livro mostra uma Terra que está sendo comandada pelos alienígenas Psychlos há 1000 anos e conta a história de uma rebelião que é criada quando os Psychlos tentam usar os humanos sobreviventes como mineradores de ouro. ps. o filme a Reconquista não chega nem aos pés do Livro.

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes03/11/2024Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    O grande épico do desperdício

    Lançado em 1982, "Campo de Batalha: Terra" narra a historia de Jonnie Tyler, um jovem que vive em um planeta Terra pós-apocalíptico que está há mais de 1.000 anos sob domínio de uma raça alienígena chamada de Psychlos, raça essa que possui literalmente milhares de colônias espalhadas pelo Universo. A raça humana foi reduzida a alguns milhares de pessoas, espalhadas em pequenas tribos e isoladas umas das outras, vivendo em recantos onde os Psychlos não tem nenhum interesse. Jonnie, que vive em uma destas tribos, é capturado por Terl, um psychlo ganancioso, que pretende usar Jonnie e mais um punhado de escoceses para minerar ouro e fazer fortuna em seu planeta natal. Indo direto ao ponto, confesso que me diverti bastante lendo estas quase 900 páginas de letras miúdas. L. Ron Hubbard é um escritor experiente, vindo da era pulp da ficção científica, então ele sabe contar sua história e a sucessão de fatos de forma fluída e que faz o leitor ficar empolgado com todas as façanhas do heróico e astuto Jonnie Goodboy Tyler. Sim, esse é o nome completo do nosso personagem e, de certa forma, diz muito a respeito da história que está sendo contada. Eu disse que gostei deste livro e acabei me apegando ao personagem principal, mas jamais fecharia os olhos para os defeitos e falhas que encontrei. Posso dizer que essa obra é o meu "guilty pleasure". Podemos dizer que, por mais que o livro tenha sido lançado nos anos 80, devido à origem pulp de Hubbard, ele é um fruto dos anos 50, pois grande parte dos vícios da literatura sci-fi desta época existe aqui: personagens rasos, importância quase nula de personagens femininas e alienígenas com costumes totalmente humanos. O primeiro ponto a me saltar aos olhos durante a leitura foi a falta de habilidade de Hubbard para lidar com passagem de tempo na história, que é confusa e difícil de definir. Além disso, os personagens acumulam conhecimentos em poucos meses (ou anos, difícil dizer...) que no mundo real exigiriam anos e anos em forma de estudo formal e dedicado. O principal exemplo: Jonnie inicia a história como um caçador/ coletor, membro de uma tribo extremamente precária e com conhecimento científico nulo. Em pouquíssimo tempo, ele domina a língua dos psychlos, sua tecnologia, se torna um excepcional piloto de aeronaves alienígenas, além de liderar uma revolução com alguns poucos milhares de humanos que consegue acabar com um império que domina milhares de planetas e existe há centenas de milhares de anos. Teria sido no mínimo sensato da parte de Hubbard - se ele de fato queria colocar esta quantidade de feitos extraordinários na trama - que sua história se desenrolasse ao longo de muitos anos, assim como, por exemplo, fez Asimov em diversas de suas histórias ("Fundação" é o exemplo mais óbvio). Mas não, Jonnie termina a sua jornada, depois de todos estes feitos e diversos outros, jovem e com dois filhos pequenos. Falando dos personagens, é inacreditável pensar que acabei de ler quase 900 páginas de uma história, mas o único personagem que ficou em minha memória foi Jonnie. Todos os demais personagens (todos mesmo!) são extremamente rasos, nem um pouco trabalhados e difíceis de distinguir (por razões óbvias). A bem da verdade, é certo dizer que nem Jonnie tem sua personalidade bem explorada. Sua mentalidade não é trabalhada e ele não passa por nenhum arco, ele é sempre corajoso, obstinado e 100% bondoso, além de nunca sabermos o que está pensando. Ainda falando de personagens, as principais ameaças do livro, que são os já citados Tearl e o planeta Psychlo, são aniquilados de maneira patética e anticlimática. Tearl atua como antagonista de Jonnie por cerca de 80% do livro (ou mais), mas desaparece de forma banal, é quase como se o seu final não existisse. O planeta Psychlo é literalmente aniquilado da existência de uma forma absurda. Para verem como é rasa e não explorada a questão de camadas da história: nossos heróis obliteram o planeta inimigo, que abriga milhões/ bilhões de seres, mas nada é dito sobre terem apagado da existência tantas e tantas vidas, possivelmente inocentes. Entendem o quão rasa é a história? E se nem o personagem principal é trabalhado, o que dirá de personagens femininas? Elas raramente aparecem e quando o fazem, é para serem secretárias ou interesses amorosos não desenvolvidos. Pelo tamanho desta obra, haveriam muitos outros aspectos sobre os quais eu poderia discorrer nesta resenha, mas quanto mais penso sobre ela, mais eu vejo como este poderia ter sido um grande épico da ficção científica, pois havia esse potencial nestas paginas. O universo aqui criado é enorme, cheio de possibilidades, mas nenhuma delas foi trabalhada ou explorada, infelizmente. Em quase 900 páginas !!!  Por mais diversão que Hubbard tenha me proporcionado, o que fica após a leitura é uma enorme sensação de potencial desperdiçado! Para finalizar, vale a pena abrir um parágrafo para falar sobre o autor desta obra. Laffayette Ronald Hubbard, escritor veterano saído direto da era de ouro da ficção científica, mas que ficou mais conhecido por ser o fundador da Cientologia, uma seita/ religião cercada de fatos duvidosos. Um dos fatos que mais me chamou atenção a respeito da Cientologia é a forma como a seita ataca e demoniza a psicologia e como isso aparece no livro de uma forma que quase explodiu minha cabeça quando percebi: primeiramente os vilões da história são os "psychlos", palavra que remete automaticamente à "psychology"; no final do livro, o ataque fica ainda mais evidente em trechos como o seguinte: "- De acordo com o que consegui descobrir, havia no planeta um grupo de artistas baratos, você sabe, charlatães, farsantes. Foram eles os primeiros psychlos. Costumavam hipnotizar pessoas no palco e obrigá-las a fazer coisas engraçadas para divertir a platéia. - Quando houve este pânico generalizado, foram falar com o imperador e devem ter sido muito convincentes, porque, do dia para a noite, foram encarregados de dirigir as escolas e os centros médicos. Antes disso, a raça recebia o nome do imperador que estava no trono. A partir dessa ocasião, passaram a ser chamados de psychlos, o nome do grupo de atores. De acordo com os dicionários antigos, 'psychlo' significa 'cérebro'. Outra forma da palavra também quer dizer 'propriedade de'. Na verdade, todos se tornaram propriedade dos psychlos. - De qualquer forma, os membros daquele bando de impostores receberam o nome de 'catristas', que quer dizer 'médicos da mente'. Assim, as pessoas eram os 'psychlos', ou 'cérebros', e os verdadeiros governantes os 'catristas', ou 'médicos da mente'. Eram eles que decidiam o que devia ser ensinado às crianças. Eles controlavam a vida da população. Proibiram a prática da religião. Acabaram com a liberdade de pensamento." Um autor de ficção científica que ataca uma ciência é, no mínimo, curioso, não acham ??

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    • 1 estrelas4%