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    Proust, Poeta e Psicanalista -

    Philippe Willemart

    Ateliê Editorial
    2000
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8574800244
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    Este ensaio nasceu de cursos sobre o escritor francês Marcel Proust, ministrados na graduação e na pós-graduação da USP. O objetivo de Philippe Willemart é problematizar trechos da obra proustiana a partir da psicanálise. O livro não se limita a analisar clássicos, como Em Busca do Tempo Perdido, e inclui manuscritos não disponíveis para o leitor brasileiro. Com esse riquíssimo material, o autor traça relações entre a criação literária (o poeta) e o conhecimento do homem (o psicanalista). (site editora)

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    vivian aurora de moraes bragagnolo picture
    vivian aurora de moraes bragagnolo23/06/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Proust: por que poeta e psicanalista?

    Do que depreendi do livro "Proust, poeta e psicanalista, de Phillipe Willemart, é que as ideias em circulação na Belle Époque, sobretudo no que se refere à publicação, 1899 de "A interpretação dos sonhos", de Freud, e o contínuo trabalho deste, provavelmente não eram do conhecimento de Marcel Proust. Porém, ao escrever sua obra-prima, "Em busca do tempo perdido", Proust faz contribuições à psicanálise, daí ser chamado pelo autor Willemart de "psicanalista". Quanto a ser poeta num livro de prosa creio que não preciso me alongar. Sua sintaxe e figuras poéticas dão conta disso de maneira abundante. O livro de Willemart é dividido em 12 capítulos, em que ele analisa questões pontuais da obra de Proust por um viés psicanalítico freudiano-lacaniano. As passagens escolhidas constam do primeiro ("No caminho de Swann") e do último volume ("O tempo recuperado") da "Recherche". São tratadas no livro questões bem conhecidas e marcantes para o leitor de proust: as reminiscências causadas pela madeleine, a frase de Vinteuil, o suplício do barão de Charlus no bordel de Jupien entre outros. Ao longo dos capítulos, Willemart constroi uma espécie de tese, embora o livro seja um ensaio. Partindo do momento "madeleine", ele instaura o complexo de Édipo do menino Marcel por sua mãe; depois, relembrando a frase de Vinteuil, ele assinala que a audição "j'ouis" de Swann é também um gozo ("jouis"). A destruição da madalena pelo chá é, segundo diz no último capítulo, "vista como uma metáfora, estrutura da criação. A destruição do objeto, outrora um, condiciona o nascimento do outro". Quanto ao flagelo do barão de Charlus, Willemart considera que a passagem "sugere dois meios contraditórios e, no entanto, necessário à criação: a exigência indispensável de uma distância do gozo para inventar e a necessidade de colar-se a ele, isto é, imaginar, sentir na pele os sofrimentos de uma época para traduzi-los em escritura". É uma análise da gênese do escritor ao fim da "Recherche"; ao longo dela, nada é por acaso.

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