Pouso -

    Ágnes Souza

    Moinhos
    2020
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-13: 9786599059018
    Português Brasileiro

    Esse breve vagalume Algumas pessoas nasceram para o amor, outras para desafiá-lo. Algumas flutuam e transbordam sem limites; outras represam. De uma forma ou de outra, o amor nos incita a pular de seu topo e esse mergulho é uma questão de arbítrio, assim como pousar, para permanecer ou simplesmente partir. Tudo é um risco, pois o pouso sucede o voo e precede a queda, ou seja, o amor e sua insurgência é êxtase no auge de seus delírios e dor em seu letal abandono. Os poemas desse Pouso, segundo livro de Ágnes Souza, flertam e criam um diálogo epistolar com a ausência, em um mundo fora de órbita, que nos convida a imergir no emaranhado do fluxo de consciência da persona que ama. Nos faz perder a noção de profundidade desse sentimento que passeia pelos cômodos, pela memória, pelo corpo, pela cidade, pelo cotidiano; que se derrama pelo livro, nos deixa vulneráveis e nos afeta com a força, serena e intensa, de sua correnteza. Como disse a autora, amar é criar intimidade com a queda e se eu fosse você, eu não teria medo do pouso nem de dar com a cabeça no amor. Luna Vitrolira

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    Berttoni Licarião02/05/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Leitura 18 de 2021 Pouso [2020] Ágnes Souza (PE, 1992-), Moinhos, 2014, 320 p. “Pousar é antes de tudo um movimento de contágio entre o ar e a rede invisível que nos mantém de pé”. Assim que coloquei os pés neste Pouso, da pernambucana Ágnes Souza, minha primeira impressão foi estar diante de poemas muito bonitos, bem escritos e executados, mas difíceis de comentar. Após vencer a primeira metade do livro, no entanto, o que parecia demasiado íntimo-amoroso, ganhou gravidade e sentidos múltiplos, abertos a muito mais que a experiência da escritora e sua performance poética. Ao lado de um coloquialismo bem empregado, de formas sem estrofes e títulos que endossam o caráter confessional de cada criação, há sempre um elemento desestruturador, uma conclusão inesperada, uma quebra irresistível da dita “normalidade” que nos remete vezes sem conta ao título da coletânea, “o momento mais crítico de todos os voos”. Dedicado “às mulheres lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis”, o livro canta o feminino irrequieto que não se comporta como pólo oposto de qualquer forma de masculinidade—um feminino completo em sua justa desejável insubmissa fragmentação. Deixo abaixo a poeta falar, maneira também de encerrar este mês em que celebramos a incessante luta pelos direitos das mulheres (infelizmente com * nas palavras para o post não ser bloqueado). ORAÇÃO À SANTA na minha cidade é assim se é magra, é seca se é gorda, é feia se é feia, é uma derrota, não dá nem pra comer se é crente, é safada enrustida se é casada, certamente trai o marido se trai o marido, é p*ta se é solteira, é p*ta se é sapatão, é mal comida se não responde o boa noite, é p*ta se responde o boa noite, é p*ta se larga o marido abusivo, é p*ta se é p*ta, não presta nem pra ser p*ta sempre me rege me guarde me governe e me ilumine preu ser p*ta #editoramoinhos #poesia #leiamulheres #agnessouza #pousa #literaturabrasileira #poemas #poesiapernambucana

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