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    Contra o ódio -

    Carolin Emcke

    Âyiné
    2020
    186 páginas
    6h 12m
    ISBN-13: 9788592649609
    Português Brasileiro
    4.2
    15 avaliações
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    Favoritos1Desejados1Avaliaram15

    Racismo, fanatismo, sentimento antidemocrático. Em um espaço público cada vez mais polarizado, impõe-se um pensamento que só permite duvidar das opiniões dos outros, nunca das próprias. Carolin emcke – uma das intelectuais europeias mais interessantes de sua geração – opõe a essa homologação a riqueza de uma sociedade aberta a diferentes vozes: uma democracia se realiza plenamente apenas com a vontade de defender o pluralismo e a coragem de se opor ao ódio. Com esses anticorpos, podemos derrotar os fanáticos religiosos e nacionalistas, que fabricam consenso, mas têm medo da diversidade e do conhecimento, as armas mais poderosas que temos. "emcke demonstra que o diálogo é possível, e seu livro nos lembra que é uma tarefa que devemos encarar". Fragmento da decisão do júri do prêmio da paz dos livreiros alemães.

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    Berttoni Licarião03/11/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Contra o ódio [2016] Carolin Emcke (Alemanha, 1967-) Âyiné, 2020, 196 p. 📖 O ódio é uma narrativa repetida vezes sem conta. Suas malhas são formadas por visões particularmente reducionistas da realidade fundamentadas, com frequência, em noções unívocas (e esquizofrênicas) como “povo homogêneo”, “religião verdadeira”, “tradição original”, “família natural”, “cultura autêntica”. Em Contra o ódio, Carolin Emcke explora manifestações desse sentimento na contemporaneidade—sempre, claro, do ponto de vista de seu lugar no mundo (lésbica, jornalista, branca, alemã)—e propõe, à guisa de alternativa, um elogio ao impuro, “uma cultura da dúvida esclarecida” capaz de perceber que uma democracia não é a “ditadura da maioria”, mas “uma ordem na qual tudo o que não é justo ou inclusivo o suficiente pode e deve ser reajustado”, exigindo “uma cultura do erro, uma cultura da discussão pública caracterizada não pelo desprezo recíproco, mas por uma curiosidade mútua”. 📖 Na construção de seu argumento, Emcke analisa episódios recentes de atuação do ódio como potência que transforma o diferente em “invisível” ou “monstruoso”, a exemplo do caso do ônibus de imigrantes cercado por uma turba de nacionalistas em Clausnitz ou do assassinato do afro-americano Eric Garner, em plena luz do dia, estrangulado pelo policial Daniel Pantaleo em julho de 2014 enquanto repetia “I can’t breathe” (sim, exatamente). O ódio se nutre da deslegitimação do outro, da recusa, segundo Rancière, “de considerar certas pessoas como seres políticos, [...] de ouvir os sons saindo de sua boca como discurso”. O pulo do gato de Emcke, para além da identificação do racismo estrutural ou da intransigência do Estado Islâmico, por ex., se direciona à isenção, aos espectadores da injustiça, àqueles que, ao não intervir, possibilitam e ampliam o ódio como uma caixa de ressonância: “não são eles próprios que odeiam, mas eles deixam que outros o façam. Eles são, talvez, apenas indiferentes ou estão acomodados. [...] Não querem ser incomodados por essas discussões indigestas”. A verdade indigesta, aqui, é que há tanta maldade nestes quanto naqueles. E não há pior uso da vida do que ser indiferente.

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