Não entendo como um livro histórico é apresentado apenas como um romance romântico. Para arrebanhar o público feminino? Se forem românticas, irão se decepcionar.
Trata-se de um romance histórico que se centra na saga de uma família judia de banqueiros (a família Goldbaum), francamente baseado na Família Rothschild, na então Áustria imperial que, nos anos que antecedem a Primeira Grande Guerra, influencia toda a Europa. Estamos na época de Francisco José, o Imperador da Áustria e Rei da Hungria, Croácia e Boémia.
O império financeiro foi criado a partir de um gueto para judeus em Frankfurt, os Goldbaum fundaram uma dinastia patriarcal de banqueiros para se tornarem uma das famílias mais poderosas e ricas da história, com negócios que vão muito além da banca. Pelo caminho, a família foi alvo de nacionalizações e confiscos.
Os homens Goldbaum eram banqueiros e as mulheres Goldbaum casavam com homens Goldbaum e produziam crianças Goldbaum, e personalidades de confiança junto de Governos e Imperadores, poucas coisas de relevo político-social aconteciam sem o seu conhecimento e assentimento. A família é podre de rica e são colecionadores das mais caras obras de arte.
Greta, alemã, casa-se com Albert - primo em segundo grau, inglês, a quem vem conhecer pouco antes do casamento. Ela divertida, leve, irreverente e não afeita ao extremo formalismo dos judeus muito ricos. Ele, colecionador de borboletas, formal e chato de galocha.
A união dos dois é apenas pincelada com alguns trechos no livro, afinal a grande guerra está às portas, e apesar de muito ricos, são judeus.
A narrativa passa então a centrar-se em três frentes: uma, a de Greta em Inglaterra e como acaba por contribuir para o esforço de guerra; outra a de Otto e Henri (irmão e primo de Greta) que de repente se vêem envolvidos na própria guerra, embora como oficiais; e finalmente Albert, igualmente envolvido no quadro de guerra, mas depois enviado como representante para os EUA, tentando conseguir a sua colaboração económica, de forma a custearem o conflito.
"O objetivo de fazer uma guerra, e de preparar uma guerra, é ganhar dinheiro."
os Goldbaum sofrem importantes tumultos familiares e, pela primeira vez, a família desune-se. A história do livro está bem ancorada em momentos históricos muito negros e marcantes (entre outros, o naufrágio do Titanic em 1912; o assassinato, em 1914 e em Sarajevo, do príncipe herdeiro Arquiduque Francisco Fernando da Áustria; a luta das sufragistas em 1912) .
A grande questão tratada no livro é sobre quem financia a guerra e para quem, quando os Estados Unidos, até então dependente da riqueza européia mostra que o mundo conhecido até então, agora está na América, mas os Goldbaum fraquejam, balançam, mas não caem.
Beleza de livro, só não leva nota cinco porque tive que caprichar na edição em relação aos jardins, flores, árvores e ervas que as mulheres da família cultivavam. Não sou jardinista, nem jardineira.