Depois de quatro anos e meio, John Smith acorda de um coma causado por um acidente de carro. Junto com a consciência, o que John traz do limbo onde esteve são poderes inexplicáveis. O passado, o presente, o futuro – nada está fora de alcance. O resto do mundo parece considerar seus poderes um dom, mas John está cada vez mais convencido de que é uma maldição. Basta um toque, e ele vê mais sobre as pessoas do que jamais desejou. Ele não pediu por isso e, no entanto, não pode se livrar das visões. Então o que fazer quando, ao apertar a mão de um político em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?
A Zona Morta -
Stephen King
Nada está fora de alcance.
A Zona Morta narra a história de John Smith, um homem que passa por momentos específicos em sua vida que acabaram lhe concedendo poderes, e agora com apenas um toque ele consegue ter visões do passado, presente e futuro das pessoas. Dom ou maldição? Só lendo para saber. A história se passa em Castle Rock, sendo o livro de apresentação de uma das famosas cidades do King, o que levou a história a ser referenciada em alguns outros livros, principalmente utilizando a famosa roda da fortuna. Amo a relação com o título do livro, e amo esse suspense sobrenatural do King! Reconheço que em alguns momentos realmente fica mais devagar, ele ganha e perde o ritmo simultaneamente, mas eu simplesmente o amo. Ele é dividido em três partes, assim como outros livros do King, mas essa montanha russa do ritmo não interferiu na minha leitura e fiquei muito entretido nas três histórias - pois, por mais que tenha uma trama principal o John percorre aventuras diferentes nesse aqui. O John sofreu tanto, e seu drama é muito bem abordado. Falando sobre uma estória onde o personagem principal tem o dom de acessar o passado, presente e futuro das pessoas apenas pelo toque, eu tinha algumas ramificações de ideias que poderiam conter e implicar nessas quase 500 páginas, por ser poderes comumente pensados, mas o mestre conseguiu apresentar o que se espera e contornar pro imprevisível, nos pequenos e grandes acontecimentos da obra. Não pensei que A Zona Morta seria o que ela é, e gostei da incrível surpresa. É um dos protagonistas que mais gosto do King e amo quando o autor traz algo científico e emprega junto em sua onda sobrenatural, aproximando a ficção ao mais próximo da realidade - nas circunstâncias possíveis. Foi um dos poucos livros em que a questão do jogo político me chamou a atenção e sempre é uma das temáticas menos atrativas para mim, mas o Stephen trouxe a crítica social e política que me colocou nos eixos sem nem perceber. Na crescente do ápice final fiquei enlouquecendo. Já tinha uma previsão do que ia acontecer por motivos que não posso dizer, mas a narrativa do King é impecável. Adorei a citação a Carrie, falando do incêndio da festa de formatura, pois mesmo com poucos lançamentos o King ainda conseguiu encaixar suas famosas referências. Senti vários clímaces, e com isso não consigo escolher um momento favorito, mas desde o da roda da fortuna eu já tinha certeza que esse seria mais um livro que envelheceria como vinho para mim, e realmente foi. Não tem elementos que dão medo nas pessoas, é um livro mais diferente mas muito bem escrito. Sobre a descrição do King não há o que comentar, e ele trouxe uma ambientação bem legal que combina muito com a narrativa mais lenta de suas histórias, foi bem gostoso de saborear. Apesar de não me apegar muito aos outros personagens gostei da relação que eles criaram e apreciei bem o vilão. A ordem dos acontecimentos é sempre gradativa, o que inflama a ponta final do livro. Assisti ao filme tempos depois e é aquela velha história: só fiquei empolgado por causa que é adaptação, pois, como filme isolado não é muito convidativo. Tive a oportunidade de presenciar a perspectiva de quem não leu e a empolgação foi indescritível.
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