O romance de Tristão -

    Béroul

    Editora 34
    2020
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9786555250039
    Português Brasileiro

    A história de Tristão e Isolda, de origem celta, não só incendiou a imaginação de poetas, músicos, ficcionistas e dramaturgos por vários séculos - tendo inspirado a célebre ópera de Wagner -, como nutriu aquela que talvez seja a principal concepção de amor do Ocidente: a que considera a paixão amorosa uma loucura, mas também uma bem-aventurança, a qual, para se realizar, não hesita em desafiar as leis e os costumes. O romance de Tristão, de Béroul, é uma narrativa rimada e metrificada, composta entre 1150 e 1190, que integra o ciclo de histórias do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda. Considerado uma verdadeira joia dos primórdios do romance moderno, nele não faltam poções mágicas, juras e mal-entendidos, emboscadas, intrigas, travestimentos e mascaradas, numa sucessão de reviravoltas que combinam heroísmo, malícia, humor e lealdade, atravessados por um lúdico e saudável erotismo. A presente edição bilíngue, apresentada e traduzida por Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, foi vertida diretamente do francês arcaico e recupera, em nossa língua, todo o brilho, o frescor, a inventividade e o colorido dos 4.485 versos dessa indiscutível obra-prima da literatura medieval.

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    Mica Gagize15/01/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sublime, mesmo incompleto.

    Béroul foi possivelmente um trovador do século XII, conhecido por sua narrativa em versos rimados e metrificados, composta provavelmente entre os anos de 1150 e 1190, sobre o romance de Tristão e Isolda. O romance em verso sobreviveu em apenas um único manuscrito, cuja cópia original encontra-se na Bibliothèque nationale de France, e está incompleto. O início e o fim do poema se perderam, e aos nossos dias chegaram um conjunto de cerca de 3 mil versos preservados. Há também manuscritos alemães, suecos, britânicos e franceses produzidos na mesma época, e o que se sabe é que estes são condensações de histórias que circularam na oralidade por muito tempo na Europa Ocidental. Tristão e Isolda integra o ciclo arturiano, mas supõe-se que possa ter origem própria, e que tenha sido incorporado ao ciclo apenas depois do século XIII. Tristão e Isolda é uma trágica história de amor entre o cavaleiro Tristão, sobrinho do rei Marcos da Cornualha, e a princesa irlandesa Isolda. Ambos se conhecem após o cavaleiro lutar com o gigante Morholt, ocasião em que Tristão é ferido e curado por Isolda. Assim segue a trama e quando seu tio Marcos decide casar-se com Isolda, Tristão é enviado à Irlanda para buscá-la. A mãe de Isolda, pensando na felicidade da filha e dos futuros noivos, prepara uma poção mágica (lovendrinc ou lovendrant), que deveria ser ofertado a Isolda e Marcos na noite de núpcias, para que se tornassem perdidamente apaixonados. Porém, por engano, a bebida é dada a Tristão e Isolda, que caem em louca paixão e se tornam amantes. Eu não teria espaço suficiente para escrever sobre toda a influência desta belíssima lenda na literatura, arte e na música. Mas quem se interessar, pode encontrar mais sobre o assunto no livro de Bédier (Tristão e Isolda), Mallory (A Morte de Arthur), na ópera de Wagner e também em uma versão de Ridley Scott (1943).

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