A tradução para o inglês do ensaio Minima Moralia
, de Theodor Adorno, traz por subtítulo: "Reflections on damaged life" [reflexões sobre a vida danificada, numa tradução bastante literal]. Mas, antes do pensador germanófono pensar a vida precarizada e arruinada sob a capitalismo tardio e decadente do pós-segunda guerra, já Hammett havia nos mostrado, com "A mulher no escuro", como as vidas se tornam nada perante uma polícia corrupta, um sistema prisional desumanizado e uma sufocante falta de condições materiais de vida e liberdade. A narrativa é magistral, ágil, cheia de ação, com personagens bem delineados, mas sem encher linguiça, alguns traços e diferenciamos este daquele, simples e direto, como uma canção de hardcore, sem firulas, direto ao ponto. O final aberto é estimulante para a reflexão e nos deixa a par da insegurança constantemente que a vida se torna sob o turbilhonante delírio do capital.
