Contágio Social (Baderna) - Coronavírus e a Luta de Classes Microbiológica na China

    Coletivo Chuang

    Veneta
    2020
    67 páginas
    2h 14m
    ISBN-13: 9786586691085
    Português Brasileiro

    Coronavirus: o que podemos aprender com a China. Observador “privilegiado” do início dessa tragédia ainda não completamente definida, o coletivo comunista chinês Chuang apresenta uma lúcida análise baseada em dados econômicos, nos mais recentes estudos das pandemias, numa visão acurada do capitalismo de hoje e no conhecimento em primeira mão das complexidades da China atual. Assim, não é surpreendente que esse seu pequeno ensaio sobre o impacto do coronavírus tenha sido imediatamente traduzido para tantas línguas e seja tão debatido. Esse é um livro essencial para entender o momento que vivemos. Assim na China como no Brasil. Nos últimos anos, o coletivo Chuang tem demonstrado o que era já de se esperar: a melhor da análise da situação da China contemporânea tem sido produzida pelos próprios chineses. Formado por pensadores/ativistas anônimos, alguns dentro da China, outros exilados, o Chuang junta conhecimento teórico com experiência nas ruas de seu país.

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    Marcos Caio25/11/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma Análise Marxista da Epidemiologia

    O Coletivo Chuang trás a tona uma leitura marxista da epidemiologia, o grupo faz uma análise crítica da doença. Para isso, conhecemos um panorama da realidade do Estado chinês, suas políticas produtivas que mais se assemelham ao capitalismo, assim como sua eficiência em lidar com a pandemia do Coronavírus. O livro ainda comenta as várias teorias da conspiração racistas que as extremas-direitas promoveram com a situação, de jornais da grande mídia a posts pagos nas redes. O ponto chave do escrito, é o quanto o vírus criou ainda mais contradições sobre o capital, como a quarentena se assemelha as situações de greves dos trabalhadores. Vêem como uma possibilidade de radicalização e politização dos trabalhadores, mesmo que sem a possibilidade da tomada dos meios de produção. Os capítulos que se seguem perpassam pela cidade de Wuhan, umas das capitais indústrias da china. A atual produção agrícola de massa que favorece a seleção e proliferação de doenças cada vez mais potentes e letais, é paralelamente as epidemias modernas, como: gripe espanhola, pestes bovinas em África, gripes suína e aviária na América. Pragas do capitalismo que foram letais aos proletários. A degradação de cuidados básicos com a saúde entre a população, é justamente a precariedade causada por meio de um crescimento econômico espetacular. Não se tem mais uma região selvagem, o capitalismo já tomou todos os lugares, é através da expansão e extração capitalistas nas áreas ainda não cultivadas, onde vírus anteriormente desconhecidos são colhidos da fauna selvagem e distribuídos nos circuitos globais. A contenção estadista do PCCh, nunca antes realizada nessa escala em uma megacidade desse tipo. A conduta oferece um estranhamento para aqueles que desejam uma revolução global. A demora de autoridades locais admitir a existência do vírus, atrasou em princípio as ações anti-virais. A tensão causada pelo surto, provocou fissuras em relação a confiança da população chinesa sobre o Estado. A desajeitada resposta inicial ao vírus, medidas repressivas e a inabilidade por parte do controle da situação, apresenta uma certa fragilidade do governo da China. Em um país de quarentena, a maneira mais eficiente é evitar a propagação do Covid-19, o contato social. Portanto, é surreal ver o governo travar uma batalha invisível contra o trânsito do próprio povo para que não se provoque maior caos. O texto do coletivo é muito interessante, trás uma análise marxista sobre o capital para além do biopoder. Como também faz um apanhado histórico dos vírus, as classes que historicamente sofrem maiores perdas e privações. Uma análise de conjuntura no calor do momento, vindo de dentro do país que identificou a proliferação do patógeno, o rápido contágio e sua letalidade frente ao desconhecimento do mesmo. Apesar das diversas contradições do governo chinês até a realização de ações concretas para conter a proliferação causada pelo contágio social.

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