Letter to Father -

    Franz Kafka

    Vitalis
    2018
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9783899195910

    The Letter to Father (1919) was never sent but is considered the key to Franz Kafka’s (1883-1924) literary work. This impressive testimony to a dramatic father-son conflict is an exceptional document in world literature. At once an indictment and a self-analysis, it gives the reader an insight into the complex inner life of its author. In a vivid captivating style, Kafka attempts to settle accounts with his authoritarian father, who appeared to him so tyrannical and omnipotent that he could write: “Sometimes I imagine the map of the world spread out and you stretched diagonally across it.”

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    marin.03/01/2025Resenhou um livro
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    Carta Ao Pai.

    Franz Kafka foi capaz de, em 88 páginas, me fazer refletir, lacrimejar e me identificar. É estarrecedor o modo como todas as suas frases, até as mais irrisórias, fazem sentido para mim: eu não somente as entendo; eu as sinto em minhas vísceras, eu as tenho entranhadas dentro de mim. Cada uma de suas analogias era precisa. “Às vezes imagino um mapa-múndi aberto e você estendido transversalmente sobre ele. Para mim, então, é como se entrassem em considerações apenas as regiões que você não cobre ou que não estão ao seu alcance.” Kafka, com essa frase, conseguiu instigar em minha mente uma clara imagem do que tenho vivido. Tento desvencilhar-me do meu pai a todo custo, mas é como se ele cobrisse todo o mapa-múndi. Por que e como exerce tanta influência em mim? Minha mente torna-se um complexo, fantasmagórico e obscuro buraco controlado, inconscientemente, por ele. “Mas o obstáculo mais importante ao casamento é a convicção já inextirpável de que tudo o que é necessário ao sustento da família ou mesmo à sua direção é aquilo que reconheci em você — na verdade tudo junto, o bom e o mau, tal como isso está organicamente unificado em você, ou seja, força e desdém pelo outro, saúde e uma certa falta de medida, dom oratório e insuficiência, autoconfiança e insatisfação com todos, superioridade diante do mundo e tirania, conhecimento dos homens e desconfiança em relação à maioria; depois, virtudes sem qualquer desvantagem, como operosidade, perseverança, presença de espírito, esperança, intrepidez.” Há uma divergência entre a relação de Kafka e seu pai para minha relação paterna; enquanto Hermann Kafka era autoritário, o meu digníssimo progenitor é quase nulo de presença. Nulo e, no entanto, sempre presente em meus pensamentos; nulo, porém constantemente cobrando uma atenção vinda de mim para ele que nunca é vinda dele para mim. Nulo e, ainda assim, exercendo tanta influência em minha vida. “A igualdade que então surgiria entre nós, e que você poderia compreender como nenhuma outra, eu a imagino tão bela porque então seria um filho livre, grato, sem culpa, sincero, e você um pai sem angústia, não despótico, compreensivo, satisfeito. Mas para chegar a esse objetivo, tudo o que aconteceu teria de ser desfeito, isto é: nós mesmos teríamos de ser apagados.” Franz escreveu um manuscrito com mais de cem páginas na intenção de uma reconciliação. Ele nunca o enviou. Acho ainda mais triste pensar que, ao final do livro, há uma “suposta resposta” de Hermann escrita pelo próprio Franz, mostrando a vulnerabilidade do escritor, que era tamanha a ponto de fazê-lo escrever o tipo de resposta que ansiava receber do pai. “Carta ao pai” é vulnerável, desolador e tangível. Uma leitura que me acertou e me dilacerou — de um bom modo.

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