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    Ainda que a terra se abra -

    R. Tavares

    Editora Taverna
    2020
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: B086JBCX3R
    Português Brasileiro
    3.8
    521 avaliações
    Leram598Lendo5Querem331Relendo1Abandonos2Resenhas81
    Favoritos26Desejados331Avaliaram521

    Martín recebe uma ligação com a notícia da morte de seu pai e precisa retornar ao Sul. A partilha da herança costura seu reencontro com o passado, com sonhos abandonados e com tragédias que teimam em não se deixar esquecer. O jovem professor universitário, ao reencontrar sua irmã mais velha, Bibiana, não consegue esconder o desconforto ao vê-la ocupando o lugar do pai, com uma naturalidade que ele jamais imaginara. Ao regressar, Martín vai descobrir que não foi apenas a irmã que mudou em sua terra natal. _______________________________ "Ainda que a terra se abra" nos envolve com sua beleza e concisão. É uma história sobre a permanência das heranças de sangue e das cicatrizes da violência, do preconceito e da barbárie na vida de um irmão e de uma irmã, e ao mesmo tempo um retrato atual da tensão entre o passado e o presente nas fronteiras do sul. - Daniel Galera "Mais do que uma voz literária talentosa, encontramos em Tavares um autor com um ponto de vista a mostrar. Ao se entrelaçar em suas reviravoltas e cenários cativantes, o leitor não consegue largar o livro. O ritmo de Ainda que a terra se abra é pulsante, mas aparentemente simples – como a vida na fronteira gaúcha." — Luisa Geisler "Com Ainda que a terra se abra, Rodrigo Tavares renova a tradição de uma certa literatura gaúcha que foca no campo para investigar as relações humanas que envolvem a família, a terra, o sul profundo do Brasil. Faz isto com a habilidade de um escritor seguro dos seus meios, em uma novela ágil e conectada com a contemporaneidade, não só em aspectos que dizem respeito ao tema abordado mas também na forma como este é abordado." — Amilcar Bettega

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    Resenhas (81)Ver mais
    natália picture
    natália25/02/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ainda que a terra se abra

    Depois que eu terminei esse livro, fiquei um bom tempo olhando pra capa dele, relendo o título e refletindo em tudo o que eu tinha acabado de ler. Precisei de um tempo para respirar e digerir a melancolia que ficou. A história que acompanhamos é a de Martín. Um jovem professor universítário (e advogado) que construíu sua vida em Brasília, fugindo o máximo que pôde de sua terra natal no interior do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. Até que ele recebe uma ligação que o faz voltar para o funeral de se pai e a partilha da herança. Através desse retorno, Martín é forçado a reabrir antigas feridas, e entender que não é possível fugir para sempre de que se é. A escrita do Rodrigo Tavares é seca, direta e sem exageros descritivos, mas carrega uma carga poética e emocional intensa. O ritmo é pulsante e faz você não querer largar a história. O Rodrigo constrói uma atmosfera tão palpável que em muitas vezes eu pude sentir o cheiro da terra, o frio da fronteira e até mesmo o desconforto na sala de estar da família. Esse livro é de uma sensíbilidade extrema. É um retrato de como nossas experiências quando mais novos moldam os adultos que nos tornamos. Muito da dor da narrativa não está naquilo que os personagens gritam, mas justamente nos silêncios que atravessam anos, naquilo que nunca foi dito entre o Martín, a Bibiana e o pai. A dinâmica entre os irmãos é uma das coisas mais interessantes. O contraste entre os dois, o Martín que sentiu que precisava fugir pra longe de suas raízes, e Bibiana que precisou endurecer, abrindo mão de si mesma pra suportar a aspereza daquele ambiente e assumir o controle da terra, do legado do pai. Esse livro tem a força de servir como espelho para as nossas próprias bagagens e cicatrizes. As vezes erguemos muros por instinto de sobreviência, para nos proteger de uma dor profunda ou de uma quebra irreparável de confiança. Mas o problema disso é que, os muros nos trancam do lado de dentro. A fuga do Martín não curou as feridas, só silênciou elas por um tempo. A história nos mostra que não é possível seguir em frente sem se resolver, sem conversar com o outro, sem perdoar genuínamente o outro e a si mesmo. Eu não conhecia o Rodrigo Tavares, mas posso dizer que a minha vontade ler mais livros dele já se instalou.

    29 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 521
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    R. Tavares profile picture

    R. Tavares

    R. Tavares nasceu em Bagé, em 1986. Reside atualmente em Porto Alegre e é autor de Ainda que a terra se abra, Andarilhos, Noite Escura, Contos Sangrentos e A tropeada. É também o idealizador e curador do FestFronteira Literária, festival de literatura que ocorre anualmente em sua cidade natal.

    5 Livros
    11 Seguidores
    Rio Grande do SUl, Brasil

    R. Tavares