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    Laços de Família -

    Clarice Lispector

    Rocco
    1998
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-10: 8532508138
    Português Brasileiro
    3.9
    13274 avaliações
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    Laços de Família, publicado pela primeira vez em 1960, é um tesouro da ourivesaria literária. São treze contos, hoje tidos como clássicos. Entre eles, os festejadíssimos "Amor", "O crime do professor de Matemática", "O búfalo" e "Feliz aniversário", adaptado para a televisão por Ziembinsky. Neles os personagens são sempre surpreendidos por uma modalidade perturbadora do insólito, no meio da banalidade de seus cotidianos. Clarice cria situações onde uma revelação, que desconstrói e ameaça a realidade, desvela a existência e aponta para uma apreensão filosófica da vida.

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    Guilherme Cintra picture
    Guilherme Cintra24/01/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Clarice, Clarice...

    Meu contato com essa autora sempre foi pequeno; apesar de muito ouvir falar. Devo ter lido algum conto na escola, numa aula de português, de filosofia, talvez. Devo ter lido centenas de frases (algumas apócrifas) na internet, em sites de relacionamento, em subnicks de msn's, como todo bom internauta. Acontece que minhas aulas acabaram, os vestibulares passaram e voltou aquele vazio que só uma boa leitura é capaz de preencher, infeliz daquele que faz das férias o governo do tédio. Pois bem, meti uns vinte reais no bolso e andei até a livraria aqui do meu bairro. O lugar é bastante ajeitado e, por algum motivo (capricho da dona, talvez) tem uma mesa, na frente de uma coluna toda dedicada a Clarice Lispector, com as principais publicações e até um retratozinho charmoso. Fui fisgado pela curiosidade - O que teria essa mulher em seus livros pra merecer tal... altar? Reconheci alguns títulos, sugestões de amigos, "A hora da estrela" que será minha próxima aquisição e "Laços de família" - "Uma seleção importante de contos da Clarice. Tem que ler Clarice, pra ser uma pessoa boa."; lembro do meu professor de Filosofia. Dei uma folheada no livrinho enquanto caminhava até minha casa, pra ver títulos como "Preciosidade", "Feliz Aniversário", "A Imitação da Rosa"... "Uma Galinha". Tentei imaginar o assunto, sobre o que tratariam esses nomes, mas pouco pude fazer. Até porque eu tinha um olhar bastante errado quanto à autora; confesso que a imaginava uma mulher vulgar, uma ucraniana com todos os seus cacuetes e um sotaque... e vulgar, de uma vulgaridade chique, de quem está acima de todas as outras mulheres. Culpa dos trechos mal usados que esbarraram em mim noutros tempos. Então cheguei em casa e li, li com a vontade de sempre, como quem bebe água fresca depois de dias de sede. E então percebi. vi do que se tratava o título, os laços de família, as quase correntes que prendem a felicidade, essa barreira de convivência e de modos que só fazem podar o amor. E aquela ucraniana foi ficando mais amarga, menos vulgar à medida que era agressiva; e pegava aquelas feridas de dias ruins e as abria. Fazia sangrar. E os contos passavam, e as páginas deslizavam, como os dias, como os anos que a gente finge esquecer. E aquela Clarice do meu preconceito foi embora, pra poder vir outra Clarice, uma Clarice assim só minha, que não ignora os erros e os defeitos, que faz deles os motivos de se ter histórias pra contar, que põe a dor nas linhas e deixa a beleza pras entrelinhas(com o perdão da minha mediocridade no jogo de palavras). E assim passaram, em poucos dias, umas cento e trinta páginas em treze contos de uma autora que, como poucos de nós, tem o dom de sentir.

    418 curtidas

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    Clarice Lispector

    Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade. A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante. Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche. Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.

    135 Livros
    7.101 Seguidores
    Vinnytsia, Ucrânia

    Clarice Lispector