* Drácula:
Sem dúvidas a leitura desse livro foi uma quebra de expectativas muito grande, apesar de Drácula ter virado um personagem da cultura pop, sendo muito referenciado, sua imagem é de terror, o livro é um dos clássicos do terro, entretanto, a história parece mais de aventura, talvez até uma jornada entre amigos (me lembrou até mesmo os três mosqueteiros), o que não torna o livro ruim de maneira alguma. A linguagem é fácil e a forma epistolar que Stoker construiu a história traz um ar de "veracidade", nós conseguimos mergulhar nesse universo e o suspense criado ao longo da narrativa nos permite manter esse mergulho.
Os personagens são caricatos e estereotipados, o que é característica dos personagens góticos, já que a ideia é dar ênfase ao vilão e colocá-lo quase como onipotente, mas Stoker teve o cuidado de colocar nele falhas para que pudesse ser combatido e talvez por isso faz-se valer o comentário do professor Van Helsing: "ele [o Drácula] possui mente de criança".
Há alguns momentos na narrativa que achei cômicos, mas entendo que só senti isso porque muito tempo se passou da época vitoriana para os dias de hoje e as coisas mudaram, desta maneira, assuntos antes tidos como proibidos ou aterrorizantes, hoje são normais e cômicos.
No mais, o livro é incrível e valeu muito a leitura. Indicaria para qualquer um em qualquer nível de leitura (que queira se arriscar com um livro grande, claro) e, independentemente do tipo de gosto literário, pois você encontra quase todos aqui reunidos nessa obra. QUE CLÁSSICO!
*Frankenstein:
Não foi um livro que funcionou para mim, entendo que tenha se tornado um clássico e ficado no imaginário popular assim como Drácula e todo o mérito à Mary Shelley que criou o gênero sci-fi, mas o livro é cheio de falhas. Eu gostei, mas não amei.
O primeiro problema é a questão da verossimilhança, apesar de ser um livro que possui personagens e seu mundo fantástico, é necessária a coerência do mundo e das histórias, características e personalidades dos personagens para imergir o leitor dentro daquele mundo, o que infelizmente aqui não há. Um outro problema que está dentro do da verossimilhança são os diálogos eloquentes, inclusive da criatura que parecem mais monólogos, palestras direcionadas ao leitor o que quebra todo o clima de fantasia.
De fato, não consegui me sentir dentro da história, nem consegui criar empatia ou raiva pelos personagens. Foi um livro que não funcionou para mim, mas é aquilo: ela já criou o gênero literário, quem viesse depois que teria a obrigação de aprimorá-lo.
*O médico e o monstro:
Acho que eu estava saturada com Frankenstein e acabei empurrando com a barriga essa leitura. Apesar de ter uma melhor construção, no sentido de que conseguimos nos sentir dentro da história como se estivéssemos ali junto com o narrador, não foi fluida para mim.
Contudo, é um livro que possui uma grande lição de moral e por ser curtinho, eu indicaria sem dúvidas. Pretendo ler no futuro e ter, quem sabe, minha opnião sobre ele modificada para melhor.