Defendo que o cosmopolitismo banal, enquanto oriundo da experiência concreta, cotidiana e comum da fronteira, designa uma condição que não está substancialmente presa a diferentes categorias sociais ou classes populares de migrantes, mesmo se é grandemente nessas que ser apoia a reflexão. Parece-me que podemos tirar dessa experiência dos migrantes um ponto de vista descentrado sobre o mundo [...] A imagem que creio poder desprender, e de certo modo "universalizar" a partir de minhas pesquisas, é a do espaço entre-dois [...] Estendendo a pesquisa a todas as situações de fronteira, isto é, a todas as situações nas quais uma prova de relativa estrangeiridade é partilhada para o comum e relativizar a distância até o outro, qualquer que seja a linguagem dessa alteridade: étnica, racial ou humanitária. Assim, poderemos reconhecer melhor o sujeito-outro que existe por meio dessas manifestações de alteridade, cuja fronteira é o lugar. Michel Agier.
Migrações, Descentramento e Cosmopolitismo - Uma Antropologia das Fronteiras
Michel Agier
Unesp
2015
323 páginas
10h 46m
ISBN-13: 9788539306169
Português Brasileiro
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