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    Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta -

    Ariano Suassuna

    José Olympio
    2004
    756 páginas
    1d 1h 12m
    ISBN-10: 8503007932
    Português Brasileiro
    4.3
    620 avaliações
    Leram950Lendo187Querem2358Relendo6Abandonos74Resenhas76
    Favoritos78Desejados2358Avaliaram620

    A pedra do reino é apresentado como um romance autobiográfico narrado por Dom Pedro Dinis Ferreira-Quadrena, o auto-proclamado Rei do Quinto Império e do Quinto Naipe, Profeta da Igreja Católico-Serteneja e pretendente ao trono do Império do Brasil . Quaderna, obcecado em criar uma versão essencialmente nordestina para o livro Compêndio narrativo do peregrino da América Latina , de Nuno Marques Pereira, se descreve como descendente dos verdadeiros reis brasileiros - que nenhuma relação têm com aqueles imperadores estrangeirados e falsificados da Casa de Bragança . Seus antepassados são, na verdade, os legítimos reis castanhos e cabras da Pedra do Reino do Sertão, que fundaram a sagrada Coroa do Brasil. As desventuras de Quaderna e a trágica história de sua família na cidade de São José do Belmonte, no interior de Pernambuco, funcionam como o ponto de partida para Suassuna promover suas misturas perfeitas - o rico com o pobre, a arte com o cotidiano, a ingenuidade com a malícia, a realidade com a fantasia, a odisséia com a sátira, a Europa com o sertão.

    Edições (6)

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    Resenhas (76)Ver mais
    Fábio Valeta de Lima picture
    Fábio Valeta de Lima05/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Pedra do Reino é um livro complexo, cheio de significados e bem diferente do que eu esperava quando comecei a leitura. Foi a primeira obra que Li de Suassuna, sendo que no máximo havia visto adaptações de seu trabalho como a minissérie “Auto da compadecida” da Globo mais de 20 anos atrás. O próprio livro é difícil de se classificar. Carlos Drummond de Andrade o chamou de “Romance-memorial-poema-folhetim”. Já Rachel de Queiróz descreve-o como: “...é romance, é odisseia, é poema, é epopeia, é sátira, é apocalipse...” e seu narrador/protagonista também faria questão de salientar a existência da safadeza na obra além de provavelmente acrescentar vários outros adjetivos. O livro conta a história e é narrado por Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, descrito por si mesmo como um poeta-escrivão, cronista, charadista e astrólogo, além de descendente dos Reis do sertão, remetendo a uma história real acontecida cem anos antes da época em que se passa a história. No qual dezenas de pessoas foram mortas em um frenesi religioso. Quaderna, seria o descendente do Rei louco que promoveu a chacina e acredita ter o direito à coroa (ao contrário dos “falsos” reis da casa de Bragança) e só não toma uma atitude, pois ele próprio sabe que é covarde e tem medo de ser morto igual seu antepassado infame. Mas Quaderna, não satisfeito em narrar a própria história, em sua narrativa mistura cultura sertaneja, poemas, literatura brasileira, ideologias políticas e crenças religiosas e além da própria História do Nordeste brasileiro, com ênfase da Paraíba e Pernambuco. Há uma grande influência do Sebastianismo em sua fala: a crença de que o Rei Português D. Sebastião não morreu na batalha de Alcácer-Quibir na África em 1578 e que um dia ainda retornará para criar o Quinto Império, o reino de deus na terra, onde não existiria miséria, fome ou desigualdade. Crenças que também foram a base de um dos mais famosos levantes da História do Brasil: A Guerra de Canudos. O livro acaba se tornando além de um romance, um tratado filosófico, religioso, político e até mesmo histórico e literário, em uma mistura que é difícil saber o que é inventado pelo autor e o que é História. É uma obra definitivamente interessante, mas bem complexa de se ler. O narrador é por demais verborrágico e para cada pequeno detalhe de sua história vão-se páginas e páginas de ideias, ideologias, poemas ou qualquer outra coisa que o ajude a contar a história do jeito que deseja. Tanto que a maior parte das suas quase 800 páginas se refere a um depoimento de apenas 4 horas, prestado frente a um corregedor que investiga a história do “Rapaz do Cavalo Branco”. História essa que é citada desde o início da obra e que mesmo assim o livro termina antes que se desvende-a totalmente. Inicialmente, a Pedra do Reino seria a primeira parte de uma trilogia, mas Suassuna desistiu da ideia enquanto trabalhava no texto do segundo volume. E com o passar dos anos revisou a obra original de forma a encerrá-la em si mesma (embora deixando várias pontas soltas, propositadamente, segundo seu narrador/personagem). Para quem se interessa em ler o livro, a minha principal recomendação é que leia com calma e com todo o tempo necessário. Eu demorei quase 03 meses para concluir a leitura e mesmo assim tenho a certeza de que muitos detalhes passaram desapercebidos.

    40 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 620
    • 5 estrelas52%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Ariano Vilar Suassuna profile picture

    Ariano Vilar Suassuna

    Ariano nasceu na Cidade da Paraiba (hoje João Pessoa), capital da Paraíba (Parahyba em ortografia arcaica), filho de Rita de Cássia Vilar e João Urbano Pessoa de Vasconcellos Suassuna (1886-1930) que cumpria o mandato de presidente do Estado (atualmente equivale ao cargo de governador). Este dia era dia de Corpus Christi, o que acabou por ocasionar a parada de uma procissão que parecia ocorrer devido ao dia de seu nascimento na frente do palácio do governo do Estado. Ariano viveu os primeiros anos de sua vida no Sítio Acauã, no sertão do estado da Paraíba. Aos três anos de idade (1930), Ariano passou por um dos momentos mais complicados de sua vida com o assassinato de seu pai no Rio de Janeiro, por motivos políticos, durante a Revolução de 1930, o que obrigou sua mãe a levar toda a família a morar na cidade de Taperoá, no Cariri Paraibano.

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    Paraíba, Brasil

    Ariano Vilar Suassuna