O Destino da Carne, de Assis Brasil, conta a história de uma família típica da burguesia carioca, moradora de Copacabana, em todas as suas potências e contradições. O foco da narrativa está na figura de Celina, filha mais velha, desbocada, rebelde, com forte caráter de desbunde advindo de um pensamento de contracultura que rejeita o status das instituições, principalmente da família e do papel da mulher, tais como eles são. No entanto, ambivalentemente, mantém uma relação quase obsessiva com um pintor estranho e conservador que lhe fascina pela estranheza e lhe traz o desejo de ser uma mulher tradicional.
Trata-se de um romance que retrata toda a hipocrisia e demagogia de uma classe média que planeja sua vida a partir de planos ideias, mas utiliza seus privilégios e confortos para cobrar dos outros aquilo que lhes escapa. Como todo desejo controlado, extrapola para todos os lados, impondo um forte teor de ruptura o corpo e impulso para, a partir daí, romper toda e qualquer regra. Um livro que faz par com outra obra de Assis Brasil, Deus, o Sol, Shakespeare, que incorpora o melhor dos traços de uma contracultura, chegando a roçar de leve com a cultura beat americana e os poemas mais urgentes de Pasolini.
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