Darcy Ribeiro foi genial com a escrita irônica nessa obra, às vezes as pessoas precisam ouvir o óbvio, e dizer que o sistema do Brasil foi falho é uma enorme hipocrisia, já que se serve plenamente à o que prometeu, o bem-estar da classe dominante, como ele mesmo diz:
"Todos sabem que a maior parte dos analfabetos está concentrada nas camadas mais velhas e mais pobres da população. Sabe-se, também, que esse pessoal vive pouco, porque come pouco. Sendo assim, basta esperar alguns anos e se acaba com o analfabetismo. Mas só se acaba com a
condição de que não se produzem novos analfabetos. Para tanto, tem-se que dar prioridade total, federal, à não-produção de analfabetos. Pegar, caçar (com e cedilha) todos os meninos de sete anos
para matricular na escola primária, aos cuidados de professores capazes e devotados, a fim de não mais produzir analfabetos. Porém, se se escolarizasse a criançada toda, e se o sistema continuasse matando os velhinhos analfabetos com que contamos, aí pelo ano 2000 não teríamos mais um só analfabeto. Percebem agora onde está o nó da questão?"
Enquanto a sociedade brasileira produzir perfeitos passivos a aceitarem a opressão de classes que engloba essa síndrome de vira-lata gritante nosso país como sociedade não muda, enquanto não houver uma reforma educacional liderada excepcionalmente pela sociedade o estado vai usar todas as suas armas para continuar emburrecendo o pobre cada vez mais, a educação é a arma mais forte que temos em uma revolução.
"Mantido ignorante, ele não estará
capacitado a eleger seus dirigentes com riscos inadmissíveis de populismo demagógico."
"Foi assim, brilhantemente, que a nossa classe dominante conseguiu duas coisas básicas: se assegurou a propriedade monopolística da terra para suas empresas agrárias, e assegurou que a população trabalharia docilmente para ela, porque só podia sair de uma fazenda para cair em outra fazenda igual, uma vez que em lugar nenhum conseguiria terras para ocupar e fazer suas pelo trabalho."