Mães do Cárcere -

    Natália Martino, Leo Drumond

    Nitro
    2017
    205 páginas
    6h 50m
    ISBN-13: 9788562658112
    Português Brasileiro

    Um projetor e um telão no meio do pátio escuro com dezenas de mulheres e crianças ao redor. Nós nos dividíamos entre segurar a tela, que voava com a ventania, e comentar as imagens que eram projetadas. Tentamos o formato preto e branco. "Ai, cadê a cor disso? Não gostei." Ficamos receosos com as imagens de algemas. "Aê, Vivi, mandou bem na cara de mau, hein?" Enquanto elas encaravam o momento como uma oportunidade para quebrar a rotina prisional, nós entendíamos que era a hora de transformar aquelas mulheres em coautoras deste livro. O resultado está agora em suas mãos. Nas imagens, uma estética que as agradou. Nos textos, suas gírias e memórias. Nós e elas, juntos, para contar histórias que podem desafiar sua visão sobre o Sistema Prisional.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Coelho Leitor picture
    Coelho Leitor12/02/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Problemáticas do sistema carcerário brasileiro

    "Mães do Cárcere" é um livro curto de escrita fácil. Sua leitura seria rápida se não fosse a sua temática que exige momentos de pausa para a reflexão. O número de violências pelos quais as mulheres aqui passaram ao longo de suas vidas é chocante, mas mais do que isso, revoltante. E esse sentimento se aprofunda quando se olha a idade das vítimas. Boa parte delas estão na casa dos vinte anos. A violência sexual, o abuso físico, a negligência parental chega a vida delas nos primeiros anos da infância. Ler o livro teceu algumas linhas de pensamento em minha cabeça que hora se embolam e não sei ainda não desatar. A primeira é a ideia de que a pobreza envelhece as pessoas muito rápido. O pobre tem que ser adulto logo na primeira infância. E essa se conecta a necessidade de uma família. Ser pobre é difícil, mas ser pobre sem apoio familiar é ainda pior. Já é uma questão que vez ou outra um autor coloca na minha cabeça sobre as relações entre a pobreza e as desestruturação familiar. Como elas se retroalimentam. A segunda, e mais latente, é como o Estado, essa amálgama de pessoas que transformamos em uma coisa o que é bastante conveniente para desresponsabilizar humanos de suas obrigações, parece se aproveitar do erro dos presidiários para esconder os seus. E a gente, sociedade de bem sem ficha suja compra. A falta do Estado é aceitável se ela é contra o não cidadão. O livro é bem feito. Gostei do trabalho de escrita e fotográfico. Os dados apresentados.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    4.6 / 4
    • 5 estrelas75%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%