Caramba, que livro bom.
Há livros de poemas onde o milagre da poesia acontece ocasionalmente, às vezes num poema inteiro, às vezes só em uns versos. Mas aqui me parece que está sempre acontecendo.
Algo que me empolga neste livro é o fato de que ele deixe este milagre à disposição não só do leitor iniciado, o tal do leitor 'cultivado', experiente na poesia, mas também à disposição do leitor 'não convertido'. Claro, isso é um palpite. Não estou na cabeça dos outros pra saber como leem. Mas suspeito que Esculturas Fluidas de João Paulo Parisio não seja por nada poesia apenas para poetas, ou literatos.
Este livro eu daria de presente pra todos os meus contatos. Todos. Pra que vejam que não só as crianças as capazes de ser essa lente através da qual os adultos voltam a ver vida: a poesia também nos devolve o mundo.
Para os que sentem que "a superficialidade é a religião do nosso tempo", que se assustam com o fato de que "a internet tornou a realidade virtual" e que constatem que "a inteligência é um pássaro exótico" nesse mar de telas que "nos deixa chatos como platelmintos", atenção: armem-se dos melhores aforismos, que este livro assustadoramente os concentra em numerosa quantidade.
E se "as leis da expressividade são inerentemente desconhecidas", tal como fica dito num poema aí dentro, devo dizer que minha reverência é total a quem consegue o feito inexplicável de dominá-las. Como João Paulo Parisio.