Diálogos - Eutífron, Apologia de Sócrates, Críton, Fédon

    Platão

    Hemus
    1977
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788528902495
    Português Brasileiro

    Muito embora os presentes diálogos aqui reunidos não sejam pertinentes, segundo as classificações mais aceitas, isto é, as de Hermann, Zeller e Schleiermacher, ao mesmo período de produção, são entretanto ligados pela temática. Nos Diálogos de Platão exercita-se a maiêutica ou parturição das idéias, que é o método socrático para a busca da verdade. Sócrates é o condutor dos diálogos e através de suas indagações leva o interlocutor a "dar a luz" ao conhecimento sobre as mais diversas matérias. Para Sócrates a verdade encontra-se latente em todos os homens e não é um patrimônio, privilégio ou mesmo uma descoberta do homem sábio. E mediante o autoconhecimento possibilitado pela maiêutica que a verdade é instaurada. Em Eutífron investiga-se a verdade sobre a religiosidade, em Críton persegue-se a verdade acerca do dever, em Fédon procura-se a verdade ou conhecimento da alma. Na Apologia de Sócrates (acompanhada nesta edição do texto em grego), Platão nos apresenta seu próprio mestre Sócrates defendendo-se das graves acusações que o condenaram à morte pela cicuta, entre elas a corrupção dos jovens, o desacato às leis e a não-submissão aos deuses. O paradoxo sublime da auto-defesa de Sócrates é esta visar a sobrevivência e soberania dos princípios do filósofo e não sua absolvição, safando-se ele da pena de morte. Sócrates e Platão viveram o período áureo da civilização grega antiga, sob o império de Péricles, com a prática da plena democracia em fase de intenso desenvolvimento das Cidades-Estados gregas após a vitória sobre os persas. Arte e filosofia floresciam simultaneamente. Referimo-nos ao séc. IV a.C. Os Diálogos, que compõem a seleção feita neste volume, foram escritos por Platão numa época em que Atenas se destacava no mundo grego, seguindo-se a um período de grandes sacrifícios e empenhos ligados à dura guerra entretida contra os persas. O próprio Sócrates participara dessa guerra. Diferentemente de seu discípulo Platão, herdeiro da aristocracia ateniense, Sócrates não contava com a ascendência nobre e não pertencia aos círculos aristocráticos. Teria chegado, já na juventude, ao convívio dos ricos e poderosos, salientado-se nas discussões políticas, provavelmente graças à intermediação de Arquelau, discípulo de Anaxágoras. Nesta edição com o texto em grego de Apologia de Sócrates.

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    Jackson 08/03/2025Resenhou um livro
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    Eutífron

    O diálogo acontece em uma espécie de fórum no qual Sócrates vai buscar saber do que se trata o processo que movem contra ele. Ele, então, descobre que é acusado de impiedade, corrupção dos jovens e culto a novos deuses. No meio da situação, Sócrates encontra Eutífron e toma conhecimento de que o rapaz está procurando inciar um processo contra o próprio pai por assassinato. A questão atrai Sócrates, que fica curioso com o caso e pede para que Eutífron o ensine a respeito do que é religiosidade, pois a acusação ao próprio pai se baseia nessa premissa: de que seria um ato justo e religioso levar seu genitor aos instrumentos de justiça. Sócrates, ironicamente, enaltece seu interlocutor para que ele o instrua a respeito de tais termos. Ambos seguem numa profunda análise para descobrir o que de fato é o religioso e o irreligioso. Recomendo a leitura.

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