O Paraíso é a terceira e última parte do poema teológico de Dante Alighieri. Aqui ele já se despediu de Virgílio e segue sendo guiado por Beatriz, seu amor platônico de infância que estudiosos debatem ser um símbolo da Sabedoria divina ou do "Intellectus agens", a teologia.
Baseado no geocentrismo de sua época, O Paraíso criado por Dante é organizado em nove esferas concêntricas e o empírico; as esferas representam a parte material e o empírico a parte espiritual. Elas são comandadas por um coro de anjos e os bem-aventurados estariam distribuídos seguindo maior ou menor nível de pureza espiritual.
Essa terceira parte do poema é formada por 33 cantos, é uma viagem espiritual de forte teor moral e contém muitas referências a figuras bíblicas do novo e do velho testamento. Dante os encontra em passagem pelas esferas, e sua trajetória só termina quando encontra com Deus.
Ele continua, assim como nas outras duas partes, fazendo sua crítica a Igreja ao falar da corrupção do Papa Clemente V e João XXII; apontando a ganância por ouro e a simonia como fatores determinantes da deterioração da igreja romana.
O Paraíso foi a parte do poema mais lenta e até "enfadonha" em determinados momentos. Tinha muita curiosidade para ler esse clássico e após ter lido O Mahabharata e O Bhagavad Gita decidi seguir lendo os grandes poemas de viés épico e teológico da literatura mundial, mas confesso que a obra indiana tende a fazer menos sermão do que a italiana e isso torna a leitura mais aprazível e menos sufocante.
O fato de Dante escrever uma obra para explicar como seriam o inferno, o Purgatório e o Paraiso revela a importância do cristianismo para o ser humano que vive nesse período.
Cheia de simbolismos complexos e, ao menos, quatro sentidos confirmados pelo próprio autor: moral, literal, alegórico e místico; A Divina Comédia foi uma leitura que iniciei com grande empolgação, à qual foi decaindo um pouco a cada livro; por isso recomendo para os apreciadores dos grandes clássicos.