Ruben Berta foi contratado em 1927 no nascimento da Viação Aérea Rio-Grandense, ou Varig como é comumente conhecida. Ele começou varrendo o chão, datilografando e carregando malas, foi galgando os cargos cada vez mais altos e quando estourou a 2° Guerra Mundial, o fundador Otto Ernst Meyer teve que renunciar o comando da empresa por ser alemão e estar filiado ao Deutsch Arbeitsfront, um partido nazista (fato esse que o autor emite), passando o comando a Berta.
O livro relata a vida de Berta no ambiente profissional, também conta algumas histórias da aviação, os presidentes da Varig pós-Berta e alguns relatos da carreira do Mário de Albuquerque (autor do livro). Há referência de vários aviões que foram usados na história da Varig, o relacionamento íntimo da empresa com os políticos e alguns acontecimentos no meio editorial, citando nomes como Archimedes Fortinni e Chateaubriand.
A Varig desde o inicio recebeu dinheiro público, mas a quantidade de vezes que mamou nas tetas do governo, para mim, foi assombroso. Foram inúmeras vezes que recebeu subsídio estatal, e que esteve ao lado de políticos que foram tenebrosos para a população brasileira, e assim como teve ajuda do Estado para acabar com a Panair, o Estado ajudou a Tam a acabar com a Varig décadas depois.
O livro teve vários fatos interessantes que valem a pena conhecer, como: Meyer participar da Revolução de 30 (o que explica a profunda amizade com Getúlio Vargas), a parceria com a Condor Syndikat, a vila dos funcionários, o inicio da aviação brasileira (viagens empresarias e as inéditas viagens para férias), a inserção da mulher como profissional na aviação (que só ocorreu em 54, pois segundo o próprio Berta, não aceitava aeromoças para evitar promiscuidade), a revista Cruzeiro, o embate Berta x Lineu, a nacionalização da Panair, a tentativa de instalar a Aerobrás(que caos seria se tivesse ido pra frente!!) e os voos internacionais chegando até dá uma volta ao mundo.
O autor Mário de Albuquerque se formou em jornalismo pela Puc, com um bolsa ofertada pela Varig (além de trabalhar lá até sua aposentadoria) ,então eu entendo o seu amor pela empresa, mas ficar falando de inúmeras qualidade de Berta em cada página é de um puxa-saquismo enfadonho e o fato de repetir a mesma história várias vezes ficou cansativo, se tivesse sido mais sucinto e menos bajulador seria um excelente relato histórico, a vasta quantidade de fotos é impressionante e muito valiosa, no final do livro tem um QR Code que nos direciona ao link que está logo abaixo, é um vídeo em que o próprio autor apresenta alguns comerciais icônicos da Varig.