Grama -

    Keum Suk Gendry-Kim

    Pipoca & Nanquim
    2020
    492 páginas
    16h 24m
    ISBN-13: 9786586672046
    Português Brasileiro

    Grama é uma poderosa graphic novel antiguerra que narra a história real da sul-coreana Ok-sun Lee, vendida pela própria família na infância e forçada à escravidão sexual pelo Exército Imperial Japonês. Ela é uma das várias mulheres que foram capturadas para servir aos soldados nas chamadas “casas de conforto”, espalhadas pela China e por territórios ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa e a Segunda Guerra Mundial, em um dos episódios mais vergonhosos do passado da humanidade. Ok-sun Lee, hoje com mais de 90 anos, se tornou uma importante ativista pela indenização das “mulheres de conforto”, e é por meio de seus relatos à autora Keum Suk Gendry-Kim que acompanhamos sua triste história de vida. Lançada na Coreia do Sul em 2017, a obra já ganhou publicações em outros seis idiomas e tem colecionado prêmios e elogios da crítica no mundo todo. Venceu o Prêmio Especial Bulles d’Humanité, do tradicional diário francês L’Humanité; entrou para as listas de melhores histórias em quadrinhos de 2019 dos jornais The New York Times e The Guardian; venceu os prêmios The Cartoonist Studio Prize, Big Other Book Award e VLA Graphic Novel Diversity Award; e agora, em 2020, está indicada em três categorias do célebre Prêmio Eisner, como Melhor escritor/artista, Melhor trabalho baseado em fatos e Melhor edição americana de material asiático. O grande êxito de Grama está em trazer à tona a questão desse gravíssimo crime de guerra em uma narrativa leve e chocante ao mesmo tempo, sempre com ênfase na força e determinação de sua protagonista para superar adversidades e manter-se viva. A edição da editora Pipoca & Nanquim, traduzida diretamente do coreano, tem 492 páginas em papel offset 90g, capa dura macia ao toque e com verniz localizado, lombada redonda e fitilho de tecido.

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    Alane Sthefany08/10/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Grama - Keum Suk Gendry-Kim

    Esse HQ me fez chorar três vezes, além de me emocionar, me deixou extremamente revoltada com o que os japoneses fizeram com o povo coreano, muitos enterrados ainda com vida, outros sendo queimados vivos em grupos após jogar líquidos inflamáveis. Além das condições precárias daqueles que os japoneses deixaram "sobreviver", deixando-os passarem frio e fome, dando apenas sobras e comidas estragadas, ainda eles eram forçados a trabalharem pesado, ao ponto de muitos morrerem durante o serviço; nem mesmo tinham o direito de tomarem banho. Sem mencionar o quão desumano era o modo que tratavam as mulheres coreanas, como escravas sexuais dos soldados, muitas eram tão novas que nem chegaram a menstruarem ou terem o conhecimento do que era uma menstruação, no entanto, eram obrigadas a receberem de 30 a 40 soldados por dia, tratando-as pior que um animal, que até mesmo uma olhada diferente, acabavam sendo espancadas, matando aos poucos a pessoa em vida e a sua vontade de viver: "É por isso que tantas mulheres se matam depois. Eu também não quis viver. Mas também não conseguia me matar. Por mais que eu quisesse morrer, não fui capaz disso. Se bem que eu já não estava mais viva, mesmo respirando." Mesmo depois da libertação, após a bomba de Hiroshima e Nagasaki, em que os japoneses se renderam, os donos dessas casas de "mulheres confortos" (eufemismo para escravas sexuais) fugiram e deixaram as meninas presas, e durante dias, sem comer, elas nem ao menos tinham conhecimento do que tinha acontecido e que poderiam sair para fora ao encontro da sua tão sonhada liberdade; foi por acaso que um homem estava passando aos arredores, que avisaram-nas que a guerra tinha acabado e que elas já estavam livres, mas para onde ir, quando já não se sabe ou conhece onde estar, sem dinheiro, comida ou família?! Elas foram abandonadas e deixadas para morrer à míngua. E por consequência da escassez de comida, todas tiveram que se separarem para sobreviver ou conseguir ao menos uma colher de comida mendigando, já que em grupos não conseguiam nada e logo todas morreriam de fome. E as últimas palavras antes dessa separação, após passarem várias dificuldades juntas durante os anos de guerra, foram: "Sobreviva." "Você também, você precisa sobreviver." Que despedida e adeus mais triste! Difícil é depois disso tudo, com o cenário todo destruído, sozinha, sem dignidade alguma, já que muitos ao descobrirem que eram escravas sexuais durante a guerra (mulheres conforto), as tratavam como lixo, sendo que elas foram sequestradas e muitas enganadas prometendo empregos, sendo depois obrigadas/forçadas a serem tratadas como objeto sexual dos soldados, e exploradas por pessoas que recebiam dinheiro a custa delas; e nem mesmo comida boa ou banho elas tinham direito, umas até contraíram doenças sexualmente transmissíveis, e somente aí, eram observadas por médicos, já que nesse estado, elas não poderiam receber mais soldados e os donos dessas casas continuarem faturando dinheiro, de resto, quando a doença não era sexual, não se importavam, pois o importante era os trabalhos sexuais que elas eram obrigadas a prestar. Algumas chegaram a engravidar e mesmo assim, ter que receber os soldados até o oitavo (8) mês de gestação, e após dar a luz, o filho ser tirado dos braços da mãe, ficando apenas alguns dias recuperando do resguardo, para servir novamente de escrava sexual para os soldados, sentido dores e sangrando muito durante o ato. Muito revoltante ler esse HQ. E descobrir o quão longe o ser humano pode chegar e quão podre ele pode se tornar, mostrando essa parte obscura da história. Depois desse HQ, quero muito ler o livro "Herdeiras do Mar", que fala sobre esse contexto histórico, em forma de ficção. [...] Quotes 📚✍🏻❤️ É por isso que tantas mulheres se matam depois. Eu também não quis viver. Mas também não conseguia me matar. Por mais que eu quisesse morrer, não fui capaz disso. Se bem que eu já não estava mais viva, mesmo respirando. A gente só morre uma vez na vida. Eu nunca conheci a felicidade. Nunca, desde o momento em que saí da barriga da minha mãe. Eu tinha tanta inveja das outras famílias, que se reuniam na mesa de jantar e conversavam sorridentes. Mesmo derrubada pelo vento e pisoteada por muitos, a grama sempre se reergue.

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