Vontade de Potência -

    Friedrich Nietzsche

    Vozes de Bolso
    2017
    592 páginas
    19h 44m
    ISBN-10: 8532653529
    Português Brasileiro

    Vontade de Potência é uma obra tumultuária e multiforme. As meias-tintas, os matizes, o esfumaçado, o sutil escapam ao formalismo rígido da lógica aristotélica e permitem, por isso, ao crítico da obra nietzscheana, descobrir a maior parte de suas contradições. Repetiremos muitas vezes que para se entender Nietzsche forçoso é, primeiramente, "sentir-se" Nietzsche. Devemos analisar sua obra não no formalismo de uma lógica que ele combateu, mas no impreciso, no tênue da lógica que ele desvenda; vária, matizada como a vida.

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    Romeu Felix15/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fiz o fichamento sobre esta obra, a quem interessar:

    "Vontade de Potência" é uma obra monumental e controversa do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Embora não tenha sido publicada em sua forma completa durante a vida do autor, esta resenha se concentra na Parte I do livro, que representa apenas uma das várias seções que foram compiladas e editadas após a morte de Nietzsche. A obra, em sua essência, é uma exploração profunda e complexa da filosofia do autor sobre a natureza da vida, da moralidade e do poder. Nietzsche, conhecido por seu estilo provocador e pensamento iconoclasta, oferece uma perspectiva completamente diferente da moral tradicional e das concepções de valores que permeavam a sociedade de sua época. A Parte I de "Vontade de Potência" começa com uma análise perspicaz da vontade humana, que é considerada por Nietzsche como a força primordial por trás de todas as ações e comportamentos. Para ele, a vontade de potência é o instinto básico que impulsiona tanto os indivíduos quanto as sociedades em direção à superação e à conquista. Essa vontade não se limita apenas ao domínio sobre os outros, mas também à busca do autodomínio e da superação de si mesmo. Nietzsche critica duramente a moralidade tradicional, que ele vê como um sistema de valores que suprime e enfraquece a vontade de potência. Para ele, a moralidade herdada do cristianismo e das filosofias ocidentais subverte a natureza humana e cria uma mentalidade de rebanho, onde os fracos e impotentes são elevados em detrimento dos fortes e criativos. Essa crítica ressoa ao longo de toda a Parte I, reforçando a ideia central de que a superação e a afirmação do poder são aspectos essenciais da existência humana. Ao longo do livro, Nietzsche aborda uma série de temas interligados, incluindo o eterno retorno, a perspectiva dionisíaca, a ascensão dos filósofos como legisladores do futuro e o conceito de "último homem", que simboliza a decadência da humanidade na busca por conforto e segurança em detrimento da grandeza e da ousadia. A escrita de Nietzsche é notavelmente poética e densa. Suas ideias são frequentemente apresentadas em forma de aforismos, metáforas e imagens poderosas que desafiam os leitores a pensar profundamente sobre as questões mais fundamentais da existência. É um livro que não pode ser lido apressadamente; exige reflexão e uma mente aberta para apreciar a profundidade de suas ideias. A complexidade e a controvérsia de "Vontade de Potência" não estão isentas de críticas. Alguns acusam Nietzsche de promover uma espécie de darwinismo social ou até mesmo de abraçar conceitos perigosos, como a superioridade racial. É importante ressaltar que suas ideias foram frequentemente mal interpretadas e apropriadas por diversos movimentos políticos ao longo da história, algo que ele próprio não teria apoiado. Em resumo, "Vontade de Potência" - Parte I, de Friedrich Nietzsche, é uma obra filosófica ousada, intensa e provocadora que continua a desafiar as concepções convencionais sobre a moralidade, a vida e o poder. Embora possa ser difícil de compreender completamente em sua totalidade, a leitura do livro certamente proporcionará insights valiosos sobre a natureza humana e o mundo ao nosso redor. É uma obra que ressoa com muitos leitores apaixonados pela filosofia e que permanecerá relevante e discutida por muitas gerações vindouras. Por: Romeu Felix Menin Junior.

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