Fascismo e Racismo: irmãos gémeos?
Escravidão e Racismo: fenómenos distintos?
O primeiro texto, "Racismo e fascismo", trata os dois termos de maneira igual e lista dez passos para a implantação de um regime de poder, que se dá de maneira sempre lenta e gradual, com exclusão e morte, e, é assustador perceber o quanto isso é atual. Não que seja uma novidade, mas é sempre assustador pensar que nenhuma política ou país está imune ao vírus do fascismo. A autora também sugere que fascismo e racismo são irmãos gémeos e afirma que "o movimento rumo a solução final não é um salto".
"Fascismo envolve ideologia, mas no fundo, trata-se mesmo é de propaganda - propaganda pelo poder."
Já o segundo texto, "O corpo escravizado e o corpo negro", a autora trata a escravidão e o racismo como fenômenos distintos, apesar de se relacionarem entre si. Toni Morrison analisa as linhas tênues que separam a escravidão do racismo, principalmente no que diz respeito ao corpo negro. Ela enfatiza que a escravidão do Novo Mundo teve a "sua conversão à tenacidade do racismo". Ou seja, o que difere a escravidão do Novo Mundo à escravidão que existe desde os tempos antigos é ter sido direcionada ao racismo. Toni explica que os traços raciais do negros interferiram na miscigenação com grupos não escravizados em gerações posteriores, uma vez que não havia como esconder o antigo status de escravizado. A discriminação entre o corpo escravizado e o corpo negro se deram quase que de forma natural.
"Nesse racismo, o corpo escravizado desaparece, mas o corpo negro permanece, transmutando-se em sinônimo de gente pobre, sinônimo de criminalidade e um ponto de inflamação nas políticas públicas."
Temos aqui dois textos curtos, porém essenciais para entendermos um pouco mais sobre como o racismo reverbera na nossa sociedade. Recomendo para quem busca informações e aprender mais sobre o assunto, principalmente o segundo texto.
"Não apenas, as origens, mas as consequências da escravidão nem sempre são racistas. O que é "peculiar" na escravidão do Novo Mundo não é sua existência, mas sua conversão à tenacidade do racismo. A desonra associada à ter sido escravizado não condena inevitávelmente os herdeiros de alguém à vilificação, à demonização ou ao suplício. O que sustenta isso é o Racismo."