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    Retrato Calado -

    Luiz Roberto Salinas Fortes

    Marco Zero
    1987
    107 páginas
    3h 34m
    ISBN-10: 8527900513
    Português Brasileiro
    3.9
    59 avaliações
    Leram85Lendo6Querem84Relendo1Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados84Avaliaram59

    Retrato Calado é, a um primeiro olhar, um livro de memórias: nele, o material bruto de onde nasce o texto são as experiências vividas pelo próprio autor, as prisões de que foi vítima durante a repressão dos anos 70. Retrato Calado elabora em alto nível a experiência dos anos de ditadura militar, porque nele a dimensão do indivíduo e o panorama do momento se fundem graças ao poder da escrita. Não é um simples testemunho , nem uma evocação de tormentos. É uma tentativa de mostrar e conhecer melhor o ser e sua circunstância nos momentos de crise, quando a relação entre ambos se torna cruciante e pode aguçar a ponta do conhecimento.

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    Flaviana Lima  picture
    Flaviana Lima 27/06/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Um livro maravilho , que retrata um período tão triste da nossa história, que muitas vezes esquecemos, a ditadura militar. Vale muito a leitura.

    4 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 59
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    • 4 estrelas51%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas2%
    Luiz Roberto Salinas Fortes profile picture

    Luiz Roberto Salinas Fortes

    Em meados dos anos 1950, muda-se para São Paulo para estudar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Gradua-se em filosofia na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), mais tarde Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), instituição na qual defende a tese de doutoramento Rousseau: da teoria à prática. Para Bento Prado, nessa tese “são resolvidos problemas clássicos da leitura de Rousseau e demonstrada a coerência de sua teoria, a despeito da aparência de contradição entre o radicalismo do Contrato e o tom algo conciliador das propostas concretas para a Polônia e para a Córsega. Em 1983, obtém o título de professor livre-docente, também pela FFLCH, com a tese Paradoxo do espetáculo, na qual continua seus estudos da obra política de Rousseau e realça a “importância da ideia de 'teatro' e 'encenação' (a não ser confundida com a mera 'representação') na ética e na política de Rousseau: é preciso algo como um cenário material disposto com sabedoria, para reconduzir a alma à virtude (o 'materialismo do sábio') e a cidade à justiça (a festa política que deve substituir o teatro existente no mundo moderno, e que estava ainda embutida na tragédia grega). Salinas foi preso diversas vezes e torturado durante a ditadura militar. Experiências que ele tenta “exorcizar” em seu confessional Retrato Calado: “Assim também, entre aquelas quatro paredes encardidas da sala minúscula, a cada fisgada elétrica vai-se tecendo a argumentação virulenta cuja eficácia faz desabar as ilusões que ainda nutríamos sobre a realidade nacional; a socrática representação desmorona, as entranhas do regime se entremostram, pulverizando os malabarismos ideológicos dominantes. Os herdeiros de Trasímaco, filósofos de um novo tipo, fazem funcionar, de maneira até então insuspeitada pela nossa ingenuidade, apesar dos compêndios marxistas devorados, os torpes mecanismos do poder. Faleceu vítima de um ataque cardíaco. “Foi uma pena ter-se acabado tão cedo esse homem reto na sua dignidade angustiada, de que dá testemunho Retrato Calado (...). Luiz Roberto parecia haver-se finalmente conciliado consigo mesmo. Mas, ironicamente, a recompensa do longo esforço para se encontrar foi a morte. Passou a ser o patrono da cadeira número 32 da Academia Araraquarense de Letras, ocupada por Marlene Theodoro Polito.

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    São Paulo, Brasil

    Luiz Roberto Salinas Fortes