pra mim, começar o ano com uma leitura mais levinha é sempre uma boa pedida, e procura-se um namorado se encaixou muito bem nesse lugar! eu tinha algumas expectativas sobre esse livro, todas elas baseadas na minha experiência com vermelho, branco e sangue azul, de casey mcquiston, porém a narrativa construída por alexis se distancia bastante dos dramas entre a coroa inglesa e a casa branca de alex e henry.
foi muito divertido me deparar com a narrativa em primeira pessoa do luc, que é um personagem com muitas opiniões, dramas e um senso de humor bastante afiado — apesar de algumas piadas serem inglesas de mais pra minha compreensão. além da narrativa divertida, a relação crescente dos protagonistas me cativou muito, apesar de o ritmo dos acontecimentos ser bastante lento. sem falar do próprio oliver, que como o esperado, é um boyfriend material de primeira, além de todas as qualidades e da beleza, parece ter até os menores parafusos no lugar (ou será que não?) então foi muito fácil perceber os meus sentimentos por ele crescendo à medidas que os de luc também cresciam.
agora temos os poréns: apesar de todos os pontos positivos e de ser um livro com o qual eu me diverti (e amei e sofri e senti raiva e quis viver um romance clichê e quis comer rabanada) eu senti que algumas coisas poderiam ter sido diferentes: pra começar, o ritmo da narrativa foi um pouco lento, o que eu, em geral, não costumo ver como um problema, porém, sinto que todas as páginas que foram gastas em algumas poucas questões poderiam ter rendido muito mais profundidade a história se fossem gastas em outras, como por exemplo, uma maior profundidade no desenvolvimento do oliver, que foi muito pouco trabalhado, tendo alguns dramas só citadas aos 45 do segundo tempo, e também a proximidade entre o luc e o pai.
outra questão são os personagens secundários, quase todos eles em quase todos os momentos, são extremamente caricatos, o que eu enxerguei como uma forma que alexis encontrou pra trazer mais humor ao texto e, como fã de lemony snicket, não posso criticar isso. o único problema são as piadas e os diálogos que, sinto eu, tiveram uma certa perda de sentido na tradução e/ou são tão ingleses que eu, que não tenho tanto dessa cultura na bagagem, tive dificuldade pra entender. suponho que o vitor martins deve ter suado pra trazer o texto da melhor forma possível, mas imagino que algumas notinhas de rodapé poderiam ter melhorado a compreensão geral.
apesar desses pontinhos, foi um livro que me prendeu e que me fez sentir feliz em todas as vezes em que tirava um tempinho pra deitar e ler umas páginas, então recomendo fortemente a leitura!