Poema dos árabes -

    Chânfara

    Tabla
    2020
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-13: 9786586824001
    Português Brasileiro

    Poema dos árabes é atribuído a um poeta lendário da Península Arábica, conhecido como Chânfara, “o homem dos lábios grossos”. O poeta nasceu nas terras do Iêmen na segunda metade do séc. V. Faz parte de um grupo de poetas, do período pré-islâmico, conhecido como suluk, os fora da lei. A tradução de Michel Sleiman busca recuperar uma oralidade original, uma comunicação direta, “sem necessidade de voltar a leitura, condição almejada na poesia oral. Isto é, o verso tem de funcionar ouvido, tanto quanto lido”.

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas04/01/2022Resenhou um livro
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    Poema dos árabes

    O que é a vida no deserto? Não a vida religiosa, monástica e mística, a que tanto estamos acostumados a ouvir nas inúmeras hagiografias do mundo cristão dos primeiros séculos? Esta é a perspectiva oferecida em “Poema dos árebes”, de Chânfara, um poeta lendário da Península Arábica, conhecido como Chânfara, que significa “o homem dos lábios grossos”. O poeta nasceu nas terras do Iêmen na segunda metade do séc. V. Faz parte de um grupo de poetas, do período pré-islâmico, conhecido como suluk, “os fora da lei”. E aqui, de forma muito peculiar, esse grupo de poetas lança mão de versos para irem contra a coletividade de suas tribos, da imposição do clã, da corrupção de seus grupos e aldeias, para, então, reafirmarem sua individualidade frente à vida tribal que eles julgavam cercear sua liberdade pessoal. Por usarem tantas vezes versos que iam contra o grupo, foram exilados por seus parentes e o contexto do “Poema dos árabes” se abre nessa perspectiva do poeta na vida solitária do deserto, identificando-se com os animais selvagens que ele encontra. Daí, o longo grupo de versos, que o identifica com um chacal, um dos três animais desérticos citados e admirados pelo poeta por duas razões: 1) eles não revelam segredos confiados; e 2) eles não relegam um homem por ato culpável. Todavia, é ainda ligado ao primeiro tema - o da liberdade individual - o grupo de versos que transcrevo a seguir e que resplandece esse tema de forma belíssima: Não sou desses que à noite apascentam camelos e crias mal nutridas, fêmeas que não aleitam. E nem sou covarde que disfarça o mal hálito e depende da mulher para todo e qualquer trato. Nem sou desses néscios, avestruz que tem no peito um pardal que sobe e desce em constante frêmito. Nem sou desses tolos, caseiros, enrabichados, que vão e vêm, óleos no corpo, olhos delineados. Nem feito parvo, mutuca, mais nocivo que útil; ameaçado, fica inerme, basta que o assustem. Não sou desses que encolhem nas trevas se a camela Inclina o passo num deserto sem referência.

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