Recursos Desumanos, obra do escritor e roteirista francês, Pierre Lemaitre, publicado pela Editora Vestígio e nesse ano, pelo selo Gutenberg, ambas editoras do Grupo Autêntica, nos apresenta a história de Alain Delambre um homem de origem simples, 57 anos, casado, pai de duas filhas e, há quatro anos está desempregado e vê sua vida desmoronar.
A narrativa carregada de drama familiar, ambientada em Paris, capital francesa, palco para o capitalismo e a contemporaneidade, leva o protagonista a enfrentar uma crise econômica em seu lar, uma vez que suas filhas estão bem colocadas no mercado de trabalho, e ele, ex-diretor de Recursos Humanos, amarga o resultado dos 45% do salário mínimo, recebido dos empregos inferiores que consegue nessa altura da idade.
A saber que Alain não cultiva esperanças de um emprego, tem seu currículo aceito para concorrer a um cargo de Diretor de Recursos Humanos de uma grande empresa, gerando expectativas de uma melhora em sua vida pessoal e financeira.
Todavia, na entrevista de emprego que está prestes a começar, os candidatos precisam simular uma tomada de reféns. Estes seriam os funcionários principais da empresa e que os candidatos não os conhecem. E a premissa do teste é simples: saber como os funcionários reagiriam sob forte pressão e como os candidatos à vaga conseguem obter os seus resultados. E tudo o que acontece a seguir, leva-nos a pensar como o ser humano sujeita todos os tipos de emprego para suprir suas necessidades e garantia de estabilidade financeira para o resto da vida.
Certamente a premissa de Recursos Desumanos, foi, na visão do autor Pierre Lemaitre, incomodar o leitor e provocar emoções conflitantes, pois, Alain é um personagem controverso, um homem desesperado por manter a situação financeira em casa que vai se transformando em um criminoso. Mas nem tudo pode ser uma verdade plena e nos surpreendemos com a astúcia do personagem. Ficando complicado separar vilões e mocinhos, porque todos na obra tem sua parcela de culpa. E muitas reviravoltas são apresentadas na obra.
Inegavelmente, um livro que deve ser lido por quem gosta de uma boa trama que ao terminar, fica matutando na engenhosidade da obra. Recomendo!