Um costume ritual japonês, com manifestações diversas no resto do Oriente, consiste em lançar ao ar ou aos rios lanternas acesas, engenhos de papel, bambu e cera, para que levem mensagens, como almas, a vivos e mortos. Por certo, no Brasil nosso rito não é muito diferente e veio da África. Entregamos ao mar, nas festas de Iemanjá, barquinhos iluminados com uma ou mais velas, cada qual com suas mensagens, amiúde pedidos que a divindade aceita ou não – e o sabemos se o objeto flutante continua sua navegação segundo as ondas, calmas ou agitadas, ou se naufraga, o que também é uma resposta. Essas lanternas rituais, vindas do Oriente, são as deste livro, que é um único poema e que “voga” – o verbo “vogar” reaparece no poema –, em vinte partes, ou manchas temáticas, ou “lanternas”. Uma navegação iluminada, isso é o que o leitor tem entre as mãos.

