Foi há dez anos atrás, em uma aula de Literatura do Ensino Médio, que me apaixonei pela escrita do Padre Antônio Vieira. Pedi para a minha mãe me levar à livraria e encontrei esta edição com sermões escolhidos pela editora Martin Claret. Assim que cheguei em casa, iniciei a leitura.
E agora, dez anos depois, termino a primeira releitura da minha edição velha de guerra. Confesso que me encantei mais ainda pelos sermões.
O padre Antônio Vieira é um dos maiores representantes da escola Barroca no Brasil. Em seus sermões, o conceptismo é predominante, apesar do amplo uso dos jogos de palavras. Os argumentos são apresentados de forma lógica, através do uso de uma retórica mais aprimorada.
Ainda que o leitor não seja cristão, penso ser uma leitura enriquecedora. Além do estilo de escrita, há reflexões muito interessantes sobre a condição de ser humano.
Há um sermão que me conquistou, em especial: "O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito defendidas em Roma pelo Padre Antônio Vieira contra o Riso de Demócrito". Neste, o padre faz uma reflexão magistral sobre o significado do riso e das lágrimas, bem sobre o impacto que estas expressões causam em quem as vê.
Nossa literatura possui tesouros, só precisamos nos dispor a encontrá-los.