Bocas do Tempo
Eduardo Galeano é, sem dúvida, um dos melhores e mais marcantes escritores latino americanos que eu já li! Mesmo que a maioria dos seus livros sigam a mesma linha (minicontos, de até duas páginas), a variedade de assuntos que ele traz é espetacular, e cada um desses textos é encadeado de modo que as histórias são agrupadas em contos que se relacionam (por exemplo: conto X fala sobre tal assunto; o próximo, também, e aí eles vão variando, quase como num caleidoscópio ou arco-íris). Bocas do Tempo não foge à regra. Basicamente, o livro é feito de recontos de histórias verídicas (algumas mais, outras nem tanto...) com certa liberdade poética, o que permite ao escritor usá-los quase como fábulas. Há também belíssimos recontos de lendas ancestrais, dos mais diversos povos (em especial latinos, mas muitos também da África e outros). O autor aqui se debruça sobre as questões universais da passagem do tempo, da evolução, do homem ancestral, passando por temáticas como a solidão, desterro, exílio... Em especial, é tocante como ele recupera histórias de pessoas dilaceradas pela violência, as ditaduras, e o colonialismo. No entanto, o livro não é depressivo nem triste. Entre seus contos, há muito espaço para humor (desde o riso infantil até sarcasmo), uma saudável nostalgia, e, claro, histórias de amor. Tudo isso com um delicioso tempero do típico realismo mágico, que é tão característico dos autores da América Latina. Há aqui também pontuais homenagens a Paulo Freire, Monteiro Lobato... Com certeza, já é um dos melhores livros deste ano! Indicado para: quem quer ler as histórias de quem fez a História, sejam pessoas famosas e anônimas, de um jeito que só um grande autor consegue fazer! Nota: 10,0 de 10.
