Levantado do chão -

    José Saramago

    Porto Editora
    2018
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-13: 9789720046895
    Português

    A transformação social. A contestação. Personagens em diálogos. As cruentas desigualdades sociais. Surgem as perguntas proibidas. Vai-se adquirindo consciência e espaço, para que tudo se levante do chão. Um livro composto por 34 capítulos. No 17.º está a tortura e a morte de Germano Santos Vidigal. Germano, o nome que significa irmão, o homem da lança. Apesar de vencido, o sacrifício da sua vida indica o caminho. «Já o encontraram. Levam-no dois guardas, para onde quer que nos voltemos não se vê outra coisa, levam-no da praça, à saída da porta do setor seis juntam-se mais dois, e agora parece mesmo de propósito, é tudo a subir, como se estivéssemos a ver uma fita sobre a vida de Cristo, lá em cima é o calvário, estes são os centuriões de bota rija e guerreiro suor, levam as lanças engatilhadas, está um calor de sufocar, alto.» As mulheres são também chamadas à primeira linha das decisões neste belo romance de Saramago. O diálogo monossilábico entre marido e mulher da família Mau-Tempo vai-se alterando. Interessante observar uma narrativa que vai da submissão ao sentido de libertação, através de gerações. Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998 Caligrafia da capa por MIA COUTO

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    Eduarda de Lemos Pinho picture
    Eduarda de Lemos Pinho16/07/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Levantado do Chão

    Foi o primeiro livro do Saramago que eu li, e simplesmente fui fisgada! Mesmo depois lendo Ensaio sobre a Cegueira, O Homem Duplo e o Ensaio sobre a Lucidez, não conseguia esquecer as emoções que senti no meu primeiro contato com ele. Apesar de que NÃO se compara os livros de Saramago, cada um tem suas emoções, tramas e reflexões singulares. Acho que quem não consegue sentir a profundidade de Levantado do Chão está muito alheio a realidade cotidiana das milhares de pessoas exploradas diuturnamente seja pelo latifúndio seja pelas outras formas de exploração e opressão, o que a inclui nessa massa de explorados/as. Nesse livro Saramago me fez refletir sobre a indignação de ver outra pessoa explorada, sentimento que me faz HUMANA, e que é totalmente diferente da INDIFERENÇA e cegueira dessa vida que levamos. E como diria o Eduardo Galeano... chegará o dia em que veremos o outro como uma esperança e não como uma ameaça. Como Saramago, morrerei comunista por não aguentar sofrer mais, nem ver mais os outros sofrerem... E se um dia não o for mais: estarei padecendo de um dos maiores males da atualidade: a indiferença pós-moderna narcísica!

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