O menino na ponte - Nem toda ponte deve ser atravessada

    M. R. Carey

    Fábrica 231
    2020
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9786586733013
    Português Brasileiro

    Em O menino na ponte, M.R. Carey retoma o fascinante universo de A menina que tinha dons para investigar o desespero humano à beira de um mundo devastado. Aos 15 anos, Stephen Greaves é um gênio científico precoce, cujo trabalho pode dar à humanidade sua melhor arma contra uma praga devastadora que assola o mundo. Ele e a epidemiologista Samrina Khan são dois dos dez tripulantes do Rosalind Franklin, um laboratório blindado sobre rodas liderado por um comandante prepotente e autoritário, que cruza uma terra devastada em busca da cura para esse vírus que alterou para sempre a vida como conhecemos. A viagem é longa, e a restrição do espaço físico para toda a tripulação faz com que a tensão do confinamento seja também uma ameaça considerável. O veículo torna-se um caldeirão de diferentes agendas, crenças e visões de mundo prestes a explodir. Em meio a esse ambiente hostil, Stephen tem em Samrina uma figura maternal que o protege dos demais cientistas, que o tratam com cautela, desprezo ou verdadeiro ódio. Mas o menino não se importa com confrontos físicos, mentiras e incertezas; encara todos os seus desafios com interesse, astúcia e muita habilidade. Todos carregam aspirações e sonhos, mas sabem que, se tudo der errado, sua perda poderá ser suportada. Eles sabem muito bem que são dispensáveis. Estranho, surpreendente e assustador, O menino na ponte é uma história emocionante e poderosa que fará você questionar o que significa ser humano em um mundo onde a esperança pode ser o maior dos desafios.

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    Luiza Helena Vieira picture
    Luiza Helena Vieira21/10/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Originalmente postada em https://www.balaiodebabados.com.br/

    Um fundo chamado Cordyceps foi o fim de praticamente toda a civilização humana. As pessoas infectadas por ele são chamadas de Famintos e, bem... o próprio nome já diz. Em meio a devastação, temos um grupo diverso de pessoas a bordo de um laboratório-tanque ambulante chamando Rosalinde Franklin, uma das poucas esperanças de encontrar uma cura para esse fungo. No meio disso tudo temos Stephen Graves, um jovem prodígio de apenas 15 anos e que foi responsável pela criação de um produto que repele os famintos. A presença do jovem divide opiniões dentro do grupo, mas logo eles vão descobrir Stephen pode vir a ser uma grande vantagem ou prejuízo para a equipe. O Menino na Ponte se passa no mesmo universo do livro A Menina que Tinha Dons. Eu não li o livro anterior e nem assisti sua adaptação (sim, existe uma mas foi flopada a coitada), e por isso me senti bastante perdida no início da história. Demorei a me conectar com a história justamente por sentir que faltava informações importantes como, por exemplo, a questão do mundo e como se tornou daquele jeito, a origem do fundo entre outras. No entanto essas informações vão aparecendo ao longo do desenvolver do livro, e aí que a história começou a fluir melhor. Outro ponto de destaque é o fato que, apesar do título aparentar Stephen ser o foco, cada um ali na equipe de Rosie tem sua importância. A narração feita em terceira pessoa e alternando de personagem dá uma ampla visão do que está acontecendo dentro e fora do laboratório-tanque. A ambientação da história não deixa a desejar. Apesar da sensação inicial de estar perdida, consegui visualizar bem a questão do mundo pós-apocalíptico dominado por mortos-vivos. Você consegue sentir toda a tensão e medo quando os personagens estão em campos, atrás de material para estudar e tentar chegar a uma cura. Também consegue sentir a tensão dentro do próprio tanque, com espaço limitado e um grupo que já está "aprisionado" ali por quase um ano. Nesse quesito das relações internas entre os participantes da expedição não deixou a desejar. O livro tem um ritmo um pouco lento, principalmente no início. Os termos e explicações científicas podem ser um ponto negativo para algumas pessoas. Eu mesma fiquei meio perdida em alguns momentos. Um pouco depois da metade do livro se iniciam tanto conflitos internos quanto externos, o que faz com que a leitura seja bem mais fluída. Destaco aqui o final e seu epílogo, já que foram situação que muito me surpreenderam e achei que casou bastante com o que foi apresentado ao longo do livro. No fim das contas, O Menino na Ponte possui uma premissa interessante, porém a leitura será mais agradável e aproveitada caso tenha lido anteriormente A Menina Que Tinha Dons.

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