A editora DC tem lá seus defeitos, mas não há como negar: ela tem a coragem (ou ousadia, loucura, enfim) de colocar seus personagens em situações que podem levá-los ao fim definitivamente. Na Marvel a gente não vê isso e quando tem algo que pode se aproximar disso, ocorre uma reviravolta e tudo fica lindo novamente.
Com a DC as coisas também em diversos aspectos voltam a ficar bonitamente normais, porém, sempre há sequelas e estas servem de alicerce para no futuro uma nova crise acontecer e fazer tudo mudar.
O RELÓGIO DO JUÍZO FINAL é uma das grandes sagas mais recentes e aqui vemos o quanto os personagens (mais precisamente Superman) pode sempre se renovar ainda que muito do seu passado continue presente.
Na década de 1980 houve a publicação de WATCHMEN, uma série estupenda sobre heróis e a aparição de um ser superior e a tudo e a todos (praticamente um deus). Quem diria que em 2019 em O RELÓGIO DO JUÍZO FINAL, resgataria boa parte de WATCHMEN, além de trazer informações da época da fase intitulada OS NOVOS 52 e até CRISE NAS INFINITAS TERRAS e o que mais aconteceu desde a aparição de Superman em 1938.
Não se trata da fusão de universos, mas sim da reposta que há muito vagava sobre como e quem fez boa parte dos infinitos mundos existir. Inclusive o tão criticado OS NOVOS 52 que em seguida (bem, foram alguns anos) foi substituído pela fase RENASCIMENTO (e continua atualmente).
Em questão de visual é algo que compensa, mas o roteiro e os diálogos são o que realmente fazem desta história ser um clássico contemporâneo. Não se sabe se tudo que ali é revelado pode acontecer de fato em alguns anos (e décadas, séculos ou mesmo um milênio), no entanto, é uma proposta genial e eleva os quadrinhos a um patamar que mais pessoas deviam ter contato. Apesar de ser necessário ter um conhecimento essencial para compreender a história que carrega informações desde aquele dia em 1938 na capa de um gibi com um homem fantasiado erguendo um carro.
Enfim, vale o tempo e o investimento. Uma das melhores narrativas da arte-sequencial e acima de muitos romances e filmes. Trabalho caprichado.
Aliás, vale lembrar que esta história é de conteúdo adulto.
L. L. Santos