É dito que esse é o primeiro de um trilogia, o que eu espero que não aconteça, porque isso aqui é um caso complicado.
Cariri Sangrento se trata de um romance histórico, onde ele narra muitos acontecimentos verdadeiros, porém com o seu toque artístico. Aqui Landsvalth pegou para si uma licença poética que eu não sei se lhe cabia nas mãos. A sua escrita deixa muito a desejar, sem contar os erros de diagramação, boa parte dos acontecimentos não carregam o peso que deviam. Tudo é despejado, quase nunca é mostrado, quando ele quer mostrar alguém traumatizado ele não mostra essa personagem reagindo de uma maneira diferente, ela diz uma fala assustada e o narrador faz questão de escrachar o que houve de maneira rápida e gráfica. E isso não é feito somente com mortes, mas com cenas de abuso, sendo feito sem um pingo de cautela, apenas sendo dito de qualquer jeito.
Mas o que me incomodou mais que os personagens que parecem derivar de uma grande fanfic histórica, e das cenas extremamente gráficas foi a mudança drástica na quantidade de descrição quando o assunto muda para sexo. Em todo momento as descrições são muito breves, mas quando adentra em uma cena de sexo, ou sobre a puberdade de uma figura histórica (no caso, Mandu Ladino, que aparece na metade da história) a descrição práticamente dobra, o que ainda não é muito, mas nos padrões do livro é. E isso mostra um pouco das prioridades de Landsvalth escrevendo isso.
Apesar de ser um história dá pra se divertir em certos momentos, que não valem a pena da maioria dos apelos gráficos que a obra usa em relação a violência.