Laços ou nós?
O romance de Starnone desnuda as angústias de cada personagem, mostrando de forma crua que somos seres essencialmente egoístas e deixando a sensação de que a vida em família é um terreno movediço, cheio de silêncios e escolhas ambíguas. Também evidencia a fragilidade da instituição familiar, em que os laços podem ser ao mesmo tempo força e prisão, afeto e ressentimento. Gostei muito da leitura. Já nas primeiras páginas da terceira parte, antevi o plot twist, mas isso em nada prejudicou a experiência. A construção é inteligente: cada seção do livro traz a perspectiva de um dos envolvidos nesse laço familiar, revelando como os mesmos acontecimentos podem ser sentidos e narrados de maneiras diferentes. Há passagens de grande intensidade, que deixam no ar a pergunta: até que ponto nossas relações são movidas por cuidado ou por interesse? Quanto memória e rancor moldam os laços familiares que permanecem? Laços que nunca são só amor ou só egoísmo, mas uma mistura complexa dos dois.
