Caderno de memórias coloniais (eBook) -

    Isabela Figueiredo

    Todavia
    2018
    175 páginas
    5h 50m
    ISBN-13: 9788593828959
    Português

    Obra-prima da literatura portuguesa de hoje, o livro de Isabela Figueiredo é um devastador ajuste de contas com a situação colonial. Caderno de memórias coloniais foi publicado em 2009 em Portugal. Sucesso de público, foi saudado como uma obra-prima. E é de fato um genial acerto de contas da autora com o passado colonial de Portugal e com seu pai, um eletricista português radicado em Moçambique. O pai parece personificar Portugal: despreza e explora os nativos. O “melhor” de Moçambique ficava com os brancos: as boas praias, os bares, a vida cultural e social, as melhores oportunidades. Tudo isso é visto pelos olhos de Isabela, que lá nasceu em 1963 e teve que se mudar para Portugal nos anos 1970, durante o contexto da descolonização. O livro é uma espécie de Carta ao pai (de Kafka), um acerto de contas num texto que mescla memória, ensaio, observação pessoal e ficção. O livro tem origem num blog da autora, canal pioneiro para tentar trazer mais realidade à narrativa edulcorada do Portugal africano. Até então, havia uma enxurrada de memórias cor de rosa e piedosas de brancos que nasceram e cresceram nas colônias portuguesas e que nunca tratavam das questões reais e duras do passado: a exclusão da população local (negra), os trabalhos subalternos e mal-remunerados destinados aos locais, o racismo. Autora da FLIP 2018.

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    Paulo Henrique picture
    Paulo Henrique12/03/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Obra necessária sob a otica de uma inocência colonial

    Indigesto. Talvez esse seja o melhor adjetivo para iniciar uma argumentação sobre o livro Caderno de Memórias Coloniais, da escritora moçambicana/portuguesa Isabela Figueiredo. A obra é um relato pessoal e emocional da autora sobre sua infância em Moçambique, então colônia de Portugal, até 1975. Escrito em formato de autoficção, o livro mistura prosa e momentos líricos para retratar suas vivências como filha de colonos portugueses, expondo as contradições e violências do colonialismo. A narrativa, estruturada como um diário, aborda temas como racismo, misoginia e a complexa relação com o pai, que personifica o colonizador. Com um tom melancólico e psicológico, a autora revela memórias dolorosas, desafiando o silêncio dos colonos sobre suas ações e provocando reflexões sobre as heranças do colonialismo e a natureza humana. Uma leitura densa, mas essencial para entender um passado recente e suas reverberações no presente.

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