"Garanto porém que chorei, que cantei, que ri, que berrei... Eu vivo!"
Foi uma leitura muito interessante para alguém que estava há tempos sem ler poesia. Reúne 21 poemas de Mário de Andrade que compõem um passeio pela cidade de São Paulo dos anos 1920 - europeia, cinza, linda, louca.
Contém ainda o "Prefácio interessantíssimo", rico texto no qual Mário de Andrade faz algumas considerações sobre o modernismo, sobre a poesia naquele momento e fala sobre os avanços das tendências da música em comparação com as da poesia.
Nesse texto, o autor se abre para os leitores e críticos, justificando-se e não justificando-se, e propondo reflexões como quem não quer nada, como por exemplo: "Todo escritor acredita na valia do que escreve. Se mostra é por vaidade. Se não mostra é por vaidade também." ou "Fujamos da natureza! Só assim a arte não se ressentirá da ridícula fraqueza da fotografia... colorida."
O livro se encerra com o texto "As enfibraturas do Ipiranga", espécie de cena teatral ou "oratório profano", nas palavras do autor, na qual diferentes vozes discutem o futuro do Brasil e da poesia.
Os poemas reunidos nessa obra são uma ode (muitas vezes às avessas, como em "Ode ao burguês") à São Paulo e às suas figuras típicas. Passa pelo Cubatão, pela rua de São Bento, pela rua Marechal Deodoro, pelo Tietê e por tantas outras paisagens mais que os conhecedores de São Paulo irão rememorar. Destaco os poemas "Inspiração", "O rebanho" e "Ode ao burguês".
Segundo o escritor em seu "Prefácio": "A língua brasileira é das mais ricas e sonoras". Isso ele exemplifica muito bem em seus poemas cheios de sonoridade e de quadros mentais ricos, que fazem a leitura parecer passeio de bonde pelas ruas paulistas.