Dialética Radical Do Brasil Negro -

    Clóvis Moura

    Anita Garibaldi
    2014
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-10: 8572771557
    Português Brasileiro

    Este livro foi editado em 1994, num momento em que o Brasil estava intensificando a adesão ao neoliberalismo. Então, ele foi muito importante para compreender como as dinâmicas raciais no Brasil estão articuladas com o modelo capitalista e a luta de classes. Nós achamos importante retomar essa discussão, e esse livro tem um papel fundamental, porque a luta contra o racismo, hoje, entra num novo patamar. Como superar o racismo num projeto político que tenta superar o neoliberalismo, entretanto, existem forças conservadoras que ainda atuam no sentido de impedir esse avanço. Então, nos atualizamos o prefácio, recontextualizando a obra no momento que nós vivemos hoje, mostrando que as interpretações do Clovis Moura sobre a questão racial que têm uma visão marxista são muito importantes para o movimento negro contemporâneo.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Livia Lucas picture
    Livia Lucas03/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Este livro do sociólogo e historiador Clóvis Moura é de extrema importância para entender o racismo como principal agente da origem do capitalismo brasileiro. E, segundo a concepção do autor, falar de luta de classes no cenário brasileiro sem antes falar de questões raciais é fazer uma análise imprecisa das relações sociais dentro do nosso contexto específico. O olhar de Moura para o Brasil é singular, ele em seu livro confirma isso quando nos diz que a transição que ocorreu do escravismo tardio (o qual ele denomina de 'a fase final do sistema escravista') para o trabalho assalariado desvalorizou a mão de obra do negro recém-liberto com as políticas de embranquecimento da população, principalmente a vinda dos imigrantes europeus que ocuparam os postos de trabalho existentes e tiveram oportunidades de mobilidade social, enquanto os negros ficaram na sobra da mão de obra. Caio Prado Jr., por exemplo, coloca que o estímulo à imigração europeia foi para suprir a falta de trabalhadores. Mas o questionamento que precisa ser feito é: que falta trabalhadores foi essa, se a população negra recém-liberta da escravidão estava desempregada? Portanto, podemos concluir que essa exclusão do negro brasileiro do mercado de trabalho é mais um projeto genocida que tenta exterminar a população de origem africana, sendo direta ou indiretamente. Através da violência policial ou tirando os recursos materiais necessários para sobrevivência. Hoje, o negro ainda é colocado à marginalidade e nos subempregos. Os trabalhadores negros são preteridos em relação ao trabalhador branco. Há, sobretudo, a desigualdade racial que dita também aa relações econômicas. Muitos colegas, ao lado do marxismo, cometem um erro ao reduzir a luta racial, chamando-a de "identitarismo", o que não considero um argumento válido, ou sequer pode ser visto como um argumento. É importante dizer: leiam o marxismo negro.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    5 / 11
    • 5 estrelas100%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%