Mentira romántica y verdad novelesca -

    René Girard

    Anagrama
    1985
    286 páginas
    9h 32m
    ISBN-13: 9788433900784
    Espanhol

    En este libro admirable de crítica literaria, René Girard aporta una noción fecunda, la de deseo mimético. Es decir: el hombre es incapaz de desear por sí solo, necesita que el objeto de su deseo le sea designado por un tercero. Este tercero puede ser externo a la acción novelesca: como los manuales de caballería para Don Quijote o las novelas de amor para Emma Bovary. Con mayor frecuencia es interior a la acción novelesca: el ser que sugiere sus deseos a los héroes de Stendhal, de Proust o de Dostoievski es a su vez un personaje del libro. Entre el héroe y su mediador se tejen entonces unas sutiles relaciones de admiración, de competencia y de odio: René Girard establece un paralelismo luminoso entre la vanidad en Stendhal, el esnobismo en Proust y la idolatría vengativa en Dostoievski. Pero René Girard no se limita a renovar la comprensión de las mayores obras maestras de la literatura novelesca, nos hace avanzar en el conocimiento del corazón humano. Nosotros nos creemos libres, nos dice, autónomos en nuestras elecciones, trátese de una corbata o de una mujer. ¡Ilusión romántica! En realidad, sólo deseamos los objetos ya deseados por otro... René Girard encuentra en todas partes el fenómeno del deseo triangular: en la publicidad, la coquetería, la hipocresía, la rivalidad de los partidos políticos, el masoquismo y el sadismo, etc. Un gran libro, conducido con una minuciosa sutileza, que contribuye a elucidar, a través de un análisis extremadamente original de las más famosas novelas de todos los tiempos, uno de los problemas más controvertidos: ¿cuáles son los motivos ocultos en los comportamientos aparentemente más libres?

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    Carolina Campos Rangel29/09/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O homem possui ou um Deus ou um ídolo

    Girard descreve a busca pela divindade através do desejo metafísico, cujo funcionamento dá-se de forma triangular, na qual o indivíduo, através de um mediador, encontra um objeto de desejo, um ídolo. O desejo metafísico (a vaidade) metamorfoseia o objeto, transformando-o em algo que ele não é - apenas o sujeito o percebe daquela forma. Ao obtê-lo, advêm a frustração, pois não alcança a gratificação que procurava. O amor verdadeiro não transfigura - as qualidades que esse amor descobre em seu objeto, a ventura que dele espera, não são ilusórias. Estamos tratando aqui do "temperamento ciumento" e da "natureza invejosa" aos quais todos estamos suscetíveis - a irresistível propensão em desejar o que desejam os Outros, ou seja, imitar seus desejos. O que o romancista medíocre nos daria como provindo dele, o romancista genial nos apresenta como advindo do Outro, e eis o que faz a intimidade verdadeira da consciência. À medida que vão se inflando as vozes do orgulho, a consciência de existir passa a sentir mais amargor e solidão. O impulso da alma para o lado de Deus é inseparável de uma descida para DENTRO DE SI MESMO. Inversamente, a retração do orgulho é inseparável de um movimento de pânico para o lado do OUTRO. É porque não ousa encarar de frente seu NADA que o herói se precipita em direção ao Outro poupado, aparentemente, pela maldição. É assim que a publicidade mais hábil não procura nos convencer que um dado produto é excelente e sim que ele é desejado pelos Outros. O ser de paixão se dirige ao objeto de seu desejo sem se preocupar com os Outros. É o único realista num universo de mentira. Eis porque parece sempre um pouco maluco. Ele desnorteia e desorienta o vaidoso porque vai direto à verdade. O ser de paixão é a flecha indicadora num mundo invertido. O ser de paixão é a exceção, o ser de vaidade, a norma. Proust e Dostoiévski não definem nosso universo pela ausência do sagrado, como fazem os filósofos, mas por um sagrado pervertido e corrupto que envenena poupo a pouco as fontes da vida. O desejo metafísico arrasta suas vítimas para o lugar ambíguo do fascínio. O ser fascinado que quer esconder de nós sua fascinação e escondê-la de si próprio, tem sempre de fingir estar vivendo segundo um modo de vida compatível com a liberdade e a autonomia que ele se gaba de usufruir. Revelar a verdade do romancista é revelar a mentira de nossa própria literatura. A liberdade não pode se afirmar a não ser sob a forma de uma conversão autêntica. Tão logo o sujeito desejante percebe o papel da imitação em seu próprio desejo, ele tem que renunciar ao desejo ou renunciar ao seu orgulho, já que o desejo faz de nós escravos. Apreender a verdade metafísica do desejo é prever a conclusão catastrófica. Toda a literatura romanesca é arrastada pela mesma enxurrada, todos os heróis obedecem a um mesmo chamado em direção ao nada e à morte. A transcendência desviada é uma descida vertiginosa, um mergulho cego nas trevas. Ao renunciar à procura da divindade no ídolo, o herói renuncia à escravidão. Todos os planos de vida se invertem, todos os efeitos do desejo metafísico são substituídos por efeitos contrários. A mentira dá lugar à verdade; a angústia à lembrança; a agitação ao repouso; o ódio ao amor; a humilhação à humildade; o desejo segundo o Outro ao desejo segundo Si próprio, e a transcendência desviada à transcendência vertical. O herói triunfa no fracasso, ele triunfa porque esgotou seus recursos, é-lhe preciso pela primeira vez olhar de frente seu desespero e seu nada. Mas esse olhar tão temido, esse olhar que é a morte do orgulho é um olhar salvador. Tudo é dado ao romancista quando ele chega a esse Eu mais verdadeiro do que aquele que cada um vive exibindo. É esse Eu que vive de imitação, ajoelhado diante do mediador. Ao renunciar à divindade enganosa do orgulho, o herói se liberta da escravidão e se apodera finalmente da verdade de sua infelicidade. Essa renúncia não se distingue da renúncia criadora. É uma vitória sobre o desejo metafísico que faz de um escritor romântico um verdadeiro romancista. Na conclusão, o herói encontra a liberdade através da morte - real ou simbólica - ao morrer para o mundo, e através do afastamento das paixões e dos compromissos sociais - a lucidez sublime - encontra sua ressurreição.

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