Composto de três ensaios interrelacionados, este livro aborda a relação entre a pluralidade de pessoas e a pessoa singular a que chamamos "indivíduo". O propósito de Elias, ao acoplar termos aparentemente antagônicos como sociedade e indivíduo, é promover a emancipação de um uso mais antigo, estabelecendo um novo modelo da maneira como os seres humanos individuais ligam-se uns aos outros numa pluralidade, ou seja, numa sociedade. Elias assinala que os indivíduos e a sociedade não são entidades estanques, mas apenas perspectivas diferentes de uma mesma instância. O cientista social ainda faz uma reflexão sobre as mudanças na maneira como a sociedade é compreendida, e até no modo como as pessoas que formam essas sociedades entendem a si mesmas: em suma, a auto-imagem e a composição social - aquilo que o autor chama habitus - dos indivíduos. A obra foi vencedora do prêmio europeu Amalfi de sociologia e ciências sociais em 1988.
A Sociedade dos Indivíduos
Nobert Elias
O fim da dicotomia indivíduo e sociedade
O sociólogo judeu alemão, Nobert Elias , começa sua obra esclarecendo que para compreendermos a constituição da sociedade e suas dinâmicas, teríamos que nos libertar da visão dicotômica e distante a qual temos em relação ao que se é a sociedade e o indivíduo, noções estabelecidas pelos antigos sociólogos e psicanalistas (a área da psicologia como um todo) que se preocupavam em marcar o objeto de seus estudos e garantirem sua atuação numa determinada área. A relação indivíduo e sociedade, seria para Elias, complementar e numa profunda relação de interdependência. A sociedade só faz sentido se houver um aglomerado de indivíduos, que possuam algum tipo de ligação, que em um determinado âmbito lhes ofereçam uma identidade coletiva – podemos pensar a nacionalidade, quem nasce no Brasil é brasileiro, logo as expressões "povo brasileiro" ou "sociedade brasileira" são entendidas a partir de um significado comum para quem faz parte deste contingente . Listei alguns pontos do livro que considero válidos, desculpe-me a formatação, mas importei essa resenha do canva – já tinha feito em outro momento para o Instagram. Sem mais delongas, vamos ao que interessa. A parábola das estátuas pensantes: A parábola imagina um grupo de estátuas à beira de um rio, capazes de pensar e observar o mundo ao redor. No entanto, por serem estátuas, elas não podem se mover ou interagir diretamente com o ambiente. Dessa forma, suas percepções do mundo são limitadas àquilo que conseguem ver e ouvir de seu ponto de vista fixo. O que essa parábola revela? Limitações da percepção: Assim como as estátuas, os indivíduos possuem uma perspectiva limitada do mundo, moldada por suas experiências pessoais, cultura e contexto social. Construção social da realidade: Nossas ideias sobre o mundo não são neutras, mas sim construídas socialmente. As estátuas, ao interpretarem o que veem e ouvem, criam narrativas sobre o mundo que estão além do alcance de seus sentidos. Importância da interação: A incapacidade das estátuas de se mover e interagir com o mundo as impede de verificar e refinar suas percepções. A interação social é fundamental para a construção de uma compreensão mais completa e precisa da realidade. As mudanças na concepção do "Eu": Elias explora a evolução da consciência individual e como os modos de pensar sobre si mesmo foram influenciados por mudanças sociais e culturais. Ele argumenta que, na sociedade moderna, a noção de um "eu" independente e autoconsciente passou a ser valorizada de forma inédita, enquanto em períodos anteriores a ideia do "eu" estava mais ligada a uma identidade coletiva e a vínculos mais rígidos com a comunidade. Elias também discute o papel das emoções e do autocontrole na construção da identidade, enfatizando que a individualização crescente trouxe consigo uma necessidade maior de controle sobre impulsos e emoções. Esse processo, segundo ele, é moldado pelas normas e expectativas da sociedade. A formação do "eu" moderno, portanto, resulta de uma tensão entre a busca por autonomia pessoal e as demandas sociais por disciplina e conformidade. Podemos pensar o contexto da valorização da imagem do corpo saudável, a vida que o indivíduo dedica para conseguir um corpo considerado Belo, mais do que cuidados com a saúde revela um cuidado em ser percebido e desejado, pois o indivíduo não adere essas vida só pra si, como também projeta esse estilo para receber a validação de outros. O autor mostra que as concepções de identidade individual não são universais nem atemporais, mas sim construídas e moldadas pelo contexto histórico e social em que o indivíduo vive. Ele sugere que essas mudanças na percepção do "eu" refletem o caráter mutável das relações entre os indivíduos e a sociedade, enfatizando a interdependência entre a construção do "eu" e a estrutura social ao redor. A individualidade e controle de si: Ao examinar como o crescimento das inter-dependências sociais influencia a individualidade, Elias argumenta que, ao longo da história, o aumento da complexidade social intensificou a interdependência entre os indivíduos, o que afeta diretamente a noção de liberdade e autonomia individual. Para ele, na sociedade moderna, as pessoas se tornaram mais interdependentes, mas, paradoxalmente, também passaram a valorizar mais a individualidade e a autonomia. Elias explora como a organização social, ao se tornar mais complexa, demanda um controle maior sobre os impulsos e uma maior consciência das necessidades e expectativas dos outros. O desenvolvimento de normas sociais e o autocontrole, segundo ele, são essenciais para que essa rede de inter-dependências funcione, uma vez que permitem aos indivíduos conviver em um sistema social mais estruturado e coordenado. Ele sugere que a identidade individual moderna, longe de ser puramente autônoma, é formada dentro dessas redes de relações interdependentes. Assim, Elias reforça a ideia de que o conceito de "indivíduo" só pode ser compreendido em relação ao contexto social, desafiando a visão de que o indivíduo é uma entidade isolada. A individualidade, então, surge e é moldada dentro da rede de inter-dependências que define a sociedade. Acredito ter ressaltado os pontos chave da obra, não poderia abordar toda a complexidade desta obra em uma simples resenha, ou outrora, cards de Instagram, mas espero ter trazido uma vaga noção da sociologia de Nobert Elias. Por fim, sociólogo convida a repensar o conceito de indivíduo, entendendo-o como um produto da estrutura social e das relações que estabelecemos com os outros. Ele nos alerta que, para compreender a condição humana, é essencial analisar o ser humano como parte de um conjunto social dinâmico e interconectado, onde a individualidade e a coletividade se reforçam mutuamente. Para saber mais basta procurar a obra, que está disponível em livrarias on-line e em PDF (sem qualquer custo), bom proveito! .
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