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    Les Enfants d'Icare -

    Arthur C. Clarke

    J'ai lu
    2001
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 2277117994
    4.2
    9474 avaliações
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    Il se trouvait à un moment où l'Histoire retient son souffle, où le présent se détache de ce qui a été... Toutes les réussites du passé se trouvaient réduites à néant, mais une seule pensée revenait inlassablement dans l'esprit de Reinhold comme un écho tenace : désormais l'homme n'était plus seul dans l'univers. L'astronef étranger s'était posé sur Terre et nul ne l'avait vu arriver. Maintenant qu'il était là, plus rien ne serait comme avant. Sans se montrer, ses occupants ne tardent pas à imposer leur volonté à l'homme. Ils exigent et obtiennent le désarmement général. L'action des Suzerains est incontestablement bénéfique et cependant un doute terrible subsiste... Pourquoi aucun humain n'a-t-il pu les apercevoir ? L'existence de l'humanité n'est-elle pas menacée ?

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes16/06/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O Grande Ovo Cósmico

    A mente dos gênios funciona de forma curiosa: no verão de 1941, Arthur C. Clarke estava chegando de carro em Londres quando se deparou com uma cena impressionante: centenas de balões de barragem (utilizados na Inglaterra para obstruir aviões inimigos) prateados ancorados no céu de Londres. Desta experiência, nasceu a ideia para o seu conto "O Anjo da Guarda", que em 1953 foi expandido, virando a primeira parte da obra-prima da ficção científica "O Fim da Infância", publicada no mesmo ano. A história já começa muito interessante: em plena corrida espacial entre EUA e URSS, Reinhold Hoffman e Konrad Scheider (será uma alusão ao fato de que os EUA e a URSS utilizaram cientistas nazistas em seu programas espaciais?) dois engenheiros e líderes dos programas especiais de ambos os países testemunham, ao mesmo tempo em seus respectivos países, naves gigantescas pairando nos céus."Nesse momento, Reinhold Hoffmann soube, ao mesmo tempo que Konrad Schneider, que havia perdido a corrida. E soube que a perdera não por poucas semanas ou meses, como vinha temendo, mas por milênios."(Pág. 21). Deste ponto, a narrativa já avança para algum ponto no futuro onde o "governo" dos Senhores Supremos (nome pelo qual os invasores passaram a ser conhecidos) já está relativamente estabelecido e Rikki Stormgren, secretário-geral das Nações Unidas, já aparece como representante de Karellen, o Senhor Supremo supervisor da Terra. Minha única ressalva a esse livro fantástico fica para este trecho, pois teria sido Interessante acompanhar essa transição, ver alguns governos da Terra se rebelando ou coisa parecida. Mas tudo bem, foi escolha criativa do Clarke, quem sou eu para contestar? Um ponto que eu achei muito interessante foi o fato dos Overlords (nome original dos Senhores Supremos, mais fácil de escrever e lembrar ... hehe) serem extremamente pacíficos, de fala elegante e comedida e certo senso de humor, quebrando totalmente aquele clichê do alien malvado destruindo cidades. Eles pacificam a Terra e conduzem a humanidade à uma Era de Ouro de paz e desenvolvimento, mas aparentemente isso leva à uma estagnação da nossa ciência e da nossa arte, o que leva alguns grupos a se posicionar contra os Overlords. E isso me fez pensar bastante: a humanidade de fato é uma raça estranha: boa parte da nossa arte vem do sofrimento e da dificuldade. A mesma coisa pode se dizer da evolução tecnológica, que só acontece em razão da dificuldade (dizem que os períodos de guerra são os que mais tem avanços tecnológicos em nossa história). Ou seja: uma vez que nos são tirados a dificuldade e o sofrimento, nosso avanço tecnológico e artístico cessa. Em suma, para mim o livro, no fundo, acaba sendo uma espécie de reflexão sobre a raça humana e seus diversos aspectos. E o que gostei mais é que Clarke não nos vilaniza e muito menos romantiza, ele é um cientista relatando aquilo que vê e chegando às suas conclusões! Voltando à história, em um primeiro momento, os Overlords não se mostram à humanidade e aqui está o momento de ouro do livro: quando finalmente a revelação acontece, os alienígenas são exatamente a definição cristã de diabo: pele vermelha, rabo com seta, chifres, asas de couro... o pacote completo! E o mais fantástico é que isso não é nada gratuito, colocado na história somente para chocar o leitor (aprenda, Heinlein!), há uma explicação muito engenhosa envolvendo memória ancestral viajando pelo tempo... só lendo mesmo para apreciar o preciosismo da prosa elegante do Clarke! Um ponto que deve ser ressaltado é que o autor não se apega a personagens e acaba não os desenvolvendo em profundidade, mas para leitores de ficção científica isso não é uma novidade: os autores deste nicho da literatura estão pouco preocupados com dramas humanos particulares (eu vejo nisso o maior desafio para integrar no nicho do sci-fi leitores de outros estilos), estão mais interessados no andamento de toda a sociedade humana frente à algum evento fantástico. Bom, retomando: estabelecida a era de ouro da humanidade devido à intervenção dos Overlords, aos poucos nós leitores vamos percebendo que há muito mais por trás desta alegada bondade: eles estão a serviço de uma mente superior, uma "Overmind", que emprega os Overlords como seus arautos, para localizarem civilizações com potencial de evolução para se juntarem à ela. O final do livro é um show à parte: Clarke nos presenteia com uma apoteose bonita e ao mesmo tempo terrível, deixando um senrimento melancólico no leitor, ainda que o personagem Jan Rodericks afirme sentir um completo sentimento de satisfação nos últimos momentos (pelo fato dos nossos descentes se juntarem à Mente Superior?). Uma reflexão para aqueles que leram o livro: os Overlords eram ou não vilões? A impressão que ficou para mim é que eles eram seres benevolentes, mas que estavam presos à sua tarefa de supervisionar o "ovo que eclode no final". Me parece que acabar com as guerras e entregar uma utopia mundial à humanidade não era essencial aos planos da "Overmind", então acredito que esse foi um sinal da benevolência dos Overlords: tornar os últimos anos da humanidade mais ... aprazíveis. Em suma, eis aqui uma uma grande obra, extremamente inventiva, principalmente se levarmos em conta que foi pensada pela primeira vez ainda na década de 40. E a competência de Clarke fez com que um leitor em pleno ano de 2024 aprecie cada linha escrita sem achar nada datado ou falso. Ao contrário: a escrita mais séria e fria do autor faz com que suas histórias soem reais mesmo sendo ficção científica e ainda nos deixa diversas questões nas quais pensar no dias que se seguem ao final da leitura. "Adeus, Karellen, Rashaverak... Sinto muito por vocês. Apesar de não ser capaz de entender, vi o que minha raça se tornou. Tudo o que já fizemos subiu para as estrelas. Quem sabe fosse isso o que as velhas religiões queriam dizer. Mas numa coisa todas erraram: pensavam que a humanidade era tão importante, mas somos apenas uma raça em... vocês sabem quantas? E, ainda assim, nos transformamos em algo que vocês nunca poderiam ser."

    276 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 9474
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Arthur Charles Clarke profile picture

    Arthur Charles Clarke

    Arthur Charles Clarke, mais conhecido como Arthur C. Clarke foi um escritor britânico, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica como o conto The Sentinel, que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço e a premiada série Encontro com Rama.

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    Arthur Charles Clarke