Rei Lear -

    William Shakespeare

    Penguin-Companhia
    2020
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788582851111
    Português Brasileiro

    Misto único de conflito familiar e crise política, de amor e ódio entre pais e filhos, Rei Lear evoca o niilismo da modernidade ao mesmo tempo em que opera a história do século XVI e das primeiras décadas do século XVII. Muitas vezes considerado o ápice da produção dramática de Shakespeare, Rei Lear começa quando um rei idoso, em busca de um sucessor, acaba por escolher duas filhas indignas de sua confiança, em vez daquela que o ama. Por conta desse erro, ele se vê despojado de seu poder, condenado a uma vida miserável de horror e insanidade. Nenhuma peça de Shakespeare foi tão longe na junção de traços grotescos, fantásticos e violentos, nos contrastes do humano, em cenas absurdas e impactantes repletas de ardis improváveis que envolvem a mente do leitor numa névoa que se mostra cada vez mais uma poderosa criação narrativa. O elo de Rei Lear com a contemporaneidade fica evidente seja no caráter niilista ou nas insinuações pré-psicanalíticas da obra. Situada em um universo impiedoso, a tragédia sombria e brutal de Shakespeare é uma obra-prima imponente e fundamental, uma poesia feroz e de amplo escopo imaginativo.

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    André Ferreira picture
    André Ferreira06/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Intrigas, ingratidão e um amor de pai

    Uma tragédia Shakespeareana da mais alta qualidade. Uma peça que une elementos da tragédia, com uma nuance narrativa épica. Eternizada na literatura e na dramaturgia, William Shekeaspeare nos brinda com uma epopeia, um clássico envolvente, instigante, fantástico. Em Rei Lear temos uma clássica tragédia. Originalmente escrita entre 1605 e 1606, baseia-se em um conto popular que se integra à história antiga da Inglaterra desde o século XII. A peça conta a história do velho rei Lear, que pela sua idade toma a decisão de deixar o trono. Ele convoca as suas três filhas, Goneril, Regan e Cordélia, e os maridos das duas primeiras, os duques de Cornwall e Albany respectivamente, para escolher como sucessora a que mais o amasse ele. Entre louvores e dissimulação, e a mais nova, Cordélia expressa seu amor de forma mais simples, irritando o rei, ela é castigada por ele. Cordélia, a única digna de herdar trono, acaba por se casar com o duque da França. Depois de varias reviravoltas, o rei Lear descobre uma trama para matá-lo, coisa que envolve as suas duas filhas mais velhas. Ele se dá conta do erro que cometeu contra sua filha Cordélia, e entra um estado de uma “quase senilidade”. Entre tragédias e traições, redenções e fatalismos, a peça se encaminha a um desfecho trágico, um amor de um pai ante a cobiça de suas filhas. Shakespeare confere à história uma visão muito pessoal, e apresenta ao público, cruelmente, uma experiência extrema de sofrimento, loucura e destruição. Rei Lear é uma das obras mais dramáticas de Shakespeare, onde o repertório, tanto de enredo quanto de construção dos diálogos e a estrutura são muito bem trabalhados. Enfatizando a ingratidão diante da ingenuidade, o enredo tem um final trágico. Shakespeare preenche os embates com uma carga dramática excepcional, as relações expostas e uma moralidade dúbia, que coloca a ambição e o amor, uma batalha entre a redenção e a fatalidade que a maldade dos homens imprime aos desejos mais ingênuos e emocionais de um pai. Com um final triste e melancólico, Shakespeare expõe as feridas, faz a crítica, contempla com melancolia as dores de uma história épica e triste. Shakespeare será eterno por eternizar uma análise do homem, trazendo beleza e dor as palavras escreve.

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