Baseado em fatos, escrito dentro de um presídio militar, o livro tem como pano de fundo a vida do autor, o policial militar Muller Ferreira. Uma obra rude, eloquente, sobre a paixão que move pessoas comuns a se tornarem policiais, com uma profunda análise quanto ao "preço de viver por um juramento", de ser policial em um país em que tudo parece ir na contramão do bem, da moral, do legal. Uma abordagem única, de uma perspectiva dual "cidadão-policial", evidenciando a verdadeira essência do trabalho policial, indo da formação civil à atividade-fim de polícia - o combate ao crime - chegando ainda ao mais profundo porão possível na atividade, o "ser preso" em decorrência do trabalho, trazendo histórias de inúmeros homens que colocaram a vida e liberdade subordinados aos direitos de seus próximos.
FORÇA E HONRA - O PREÇO DE UM JURAMENTO
MULLER FERREIRA
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Título: Força e honra - O preço de um juramento Autor: Müller Ferreira Ano: 2020 Páginas: 423 *Obra gentilmente cedido pelo autor. Vidas interrompidas, sonhos cancelados, liberdade roubada. Isso é que se tem ao ser julgado culpado por um delito cometido, independente do indivíduo ter cometido ou não. É o que acontece em Força e honra. Aqui a representação da justiça como cega, às vezes, não é tão bem assim. A obra é uma autobiografia do policial Müller Ferreira, onde foi julgado e recluso no presídio Romão Gomes por quase dois anos, injustamente, acusado de um crime que não cometeu. Após ler a história, só fica um sentimento: revolta. De ver que estamos perante uma sociedade cruel, rotuladora que se acha a dona da verdade e ao menos tem a humildade de ouvir as pessoas e ser humilde o suficiente para rever os fatos e serem justos ao concluírem um caso. É inimaginável o que esse policial e seus amigos sentiram e passaram presos inocentes, tendo sua dignidade ferida e sua liberdade tirada, deixando suas famílias desamparadas sem a presença dos entes queridos. O que me deixou pensativo durante é o peso na consciência dessas pessoas que os acusaram de terem cometido esse crime, mesmo sabendo que não era verdade e dos órgãos superiores, que também sabiam, mas parecia que era prazeroso coloca-los atrás das grades. Ficava o tempo todo me perguntando se eles conseguiam colocara cabeça no travesseiro todas as noites e dormirem em paz, sabendo da atrocidade que estavam cometendo. A justiça que nos doutrinava para a prudência é a mesma que nos induz a tocar o foda-se, a fechar os olhos Todos deveriam ler essa obra, principalmente os que julgam a corporação, pois pensam que os policiais que vão presos possuem vida boa e mordomia. Ao contrário, são tratados pior que presos comuns, o que fazem com eles é desumano, é uma humilhação estarrecedora. O que mais me sensibilizou foi a hora mais sagrada que temos: a refeição. Ter que se alimentar de comida azeda, com cheiro forte de estragado, me deu momentos de devaneios na época do Holocausto, onde os judeus eram tratados dessa forma. É algo inaceitável nos dias de hoje, ainda mais no Brasil, onde temos fartura de alimentos. Fica explicito a grande pesquisa feita pelo autor que está presente na obra. No decorrer da leitura, ele relembra fatos que marcaram a História do Brasil e também relata o movimento do presídio em que diariamente recebe policiais, estes acusados justamente e injustamente de crimes cometidos, onde são narrados os delitos cometidos por alguns. Gostei demais os comentários ácidos realizados por Müller no decorrer da história, foram perfeitos. São nessas horas que se vê quem são nossos amigos. A pior parte desse livro é o tratamento que eles receberam de seus colegas de profissão, onde tinham o prazer de vê-los se ferrando e sofrendo com o momento. E as sequelas traumas que ficarão eternamente no subconsciente desses policiais que pode comparar com um soldado que voltou de uma grande e cruel guerra. Quando nos tornamos policiais, a impressão é de que perdemos nossa identidade, nosso direito de imagem é mera ficção. Enfim, se fosse colocar tudo o que senti nessa leitura, essa resenha precisaria ser dividida em três partes, pois o meu sentimento de injustiça e revolta é grande. Mas encerro dizendo que todos deveriam ler esse livro e darem valor aos nossos soldados que fazem um juramento e dão a vida para defender e proteger a sociedade. E sim, temos policias que atuam honestamente e com amor a profissão, que merecem ser aplaudidos de pé pelo belo trabalho que realizam.
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