Um Sonho de Bom
Eu cheguei a esse livro por meio de uma lista no Super Interessante sobre filmes inspirados em Clássicos da Literatura, e ele foi referido ao filme que marcou minha adolescência Ela é Demais, o que salientou a vontade de lê-lo. Se não fosse pelo filme eu ainda leria o livro por causa dessa sinopse. ..... Eu sei que, pra quem é acostumado a narrativas de romance, pode estranhar a narração de uma peça, e este livro é uma peça. Para quem é familiarizado com William Shakespeare nem vai fazer cócegas na sua cabeça. Pra quem não é, posso afirmar com toda a certeza do mundo que esse livro compensará. Começando pelo jeito que Eliza é. Ela é dolorosamente pobre e ferrada, não tem onde cair morta e se veste, fala e porta como uma escória da sociedade - mas é super fofa, sensível e linda. Higgins é um cara de posição, educado, irreverente, mal humorado, e ainda por cima, para piorar tudo, é um famoso estudioso. De fonética! O sonho de Eliza é abrir uma floricultura, mas depois de um evento na praça vendendo suas flores (tadinha!), em que conhece Higgins, ela se dá conta de que não conseguirá nada se continuar falando daquele jeito. E é quando ela, por desespero e esperança, pede ao famoso fonético para ensiná-la a falar, e ele, por uma aposta, aceita a condição de reeducá-la em tempo integral. Sra. Pearce: Como é que uma moça tola e ignorante como você acha que pode pagar o professor Higgins? Florista: Achano. Pruque não? Só a sinhora acha qui linção custa caro? Eu pargo. Higgins: Quanto? Florista: (Voltando-se pra ele, triufante.) Ah, uviu farlá em dinhêro! Sarbia qui o sinhô não ia prede casião di pergá di volta argum du dinheiro qui mi jogo onti. (Confidencialmente) Tava um pouquinho mamado, num tava? Higgins: (Peremptório) Senta aí. Florista: Ah, si u sinhô archa qui é assim qui uma persoa inducada... Higgins: (Trovejando) Senta aí!!! Eliza é muito simples, também pudera, e Higgins é um cara totalmente contrário dela. Mas acompanhar o desenvolvimento dele em relação em como ele muda com ela é doce igual caramelo com a vantagem de não enjoar e querer que essas 172 páginas não acabem. Eu corri numa livraria mais próxima e comprei o pocket. Acho que é só nesse formato que tem esse livro (tenho todos os livros de Machado de Assis em pocket e não me importo). Higgins corrige Eliza o tempo todo à medida que ela é educada, e em algumas vezes por sua ignorância e às vezes por orgulho, ela não se sujeitava a ele. Além desses personagens principais, temos o coronel Pickering, um estudioso famoso tanto quanto Higgins, e com quem faz a aposta de transformar Eliza numa dama. Freddy é um cara de alta sociedade que se encanta com Eliza mesmo quando ela era uma pé rapada, e vindo dele a mãe, empenhada em casar sua filha com Higgins, cuja oferta ele declina sem dó. Ele é muito irreverente! Mas em alguns momentos muito doce! Por suceder de Eliza e ele irem morar juntos, acompanhá-los em seu convívio é muito divertido, e surtante também. Bem, em seis meses Higgins e Pickering terão que transformar Eliza numa dama e fazê-la se passar por alguém de outra cidade, camuflando assim seu sotaque, enganando todo mundo no Palácio de Buckingham, vestida como uma condessa. Se o rei descobrir a farsa, ela terá a cabeça cortada. Se ela não for descoberta terá seus 76 pence para abrir sua floricultura. Não vou dizer que Higgings é um crush literário, pelo menos no início ele não vai ser, e você precisa ter paciência por isso. Depois ele muda, como todos os mocinhos, como todo ser apaixonado. Porém, mantenham na cabeça o tempo todo que as convicções de Higgings são muito superiores a ele mesmo, e isso vai evitar que você decepcione no final. Como eu! Até hoje! E para sempre! Liza: O que faz uma mulher ser uma verdadeira dama não é a maneira como ela se comporta, mas a maneira como os outros se comportam com ela. (Obs: repararam aqui como a linguagem dela muda? Spoiler saudável!) Liza: Por que você roubou minha independência? Por que eu cedi? Higgings: (Senta-se junto dela na otomana) Algumas coisa eu aprendi das suas idióticas noções sentimentais - confesso isso, humilde e grato. E me acostumei à tua voz e à tua presença. Gosto delas... demais. O filme Ela é Demais é só uma "inspiração". Adaptação mesmo é o filme My Fair Lady em preto e branco, classudo, de 1964. Estou com ele aqui pra ver, mas tenho postergado. Eu assisto muito filme em preto e branco, então não é por ele ser antigo. Confesso que por Higgings ser um velho no filme me desanimou, mesmo a Eliza sendo a eterna Bonequinha de Luxo, Audrey Hepburn. Acho que vou até ver hoje (depois que eu terminar essa resenha)! Enfim, se tiverem oportunidade leem o livro primeiro. O velhão do filme pode assustar um pouco. beijos,




