A Alma Perdida é um livro especial, pois reúne duas mulheres talentosas e de sucesso que coincidentemente nasceram na Polônia. A primeira é Olga Tokarczuk, vencedora do Nobel de Literatura em 2018; já a outra, trata-se de Joanna Concejo, uma premiada ilustradora de livros destinados ao publico infantil.
Entretanto, a despeito do que sugere à primeira vista, esta história não se destina às crianças. Seu alvo são as pessoas “mais velhas”, com maior capacidade cognitiva para entender as inúmeras reflexões poéticas e filosóficas que ela carrega. Uma circunstância que me fez recordar de outro livro com a mesma característica: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.
Em poucas linhas, o livro apresenta a jornada de um homem solitário em busca de sua alma, após se dar conta que, em algum momento do corre-corre diário, eles haviam se distanciado e perdido o contato. Isto ocorre com muitas almas que não conseguem acompanhar seus donos e, ao ficarem para trás, causam uma grande confusão, isto é, “elas acabam perdendo a cabeça e as pessoas deixam de ter coração”. Porém, elas sabem que ficaram sem seus donos, mas eles não percebem que perderam suas almas.
Nesta desordem, as pessoas esquecem até os próprios nomes, uma metáfora para a perda de identidade — quando você deixa de ser um, para tornar-se apenas mais um — um dos assuntos desenvolvidos numa história que também se debruça sobre o vazio existencial, precursor da depressão, a necessidade “de dar tempo ao tempo” e a valorização da essência.
Por sinal, é interessante como a depressão é apresentada por intermédio das ilustrações. A princípio, as únicas cores usadas são branco, preto e diversos tons de cinza. Todavia, conforme João, é assim que se chama o protagonista, descobre a doença e começa a se tratar, outras cores começam a ganhar espaço, até tomarem conta das páginas finais.
A bem da verdade, A Alma Perdida é um pequeno conto em tamanho mas grande em conteúdo, que se redimensiona mediante belas ilustrações. Boa leitura! 📚
Nota: O e-book está muito caro, se comparado ao livro que, por sinal, é muito bonito.