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    Um dia chegarei a Sagres -

    Nélida Piñon

    Record
    2020
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9786555871128
    Português Brasileiro
    3.7
    57 avaliações
    Leram73Lendo13Querem111Relendo0Abandonos2Resenhas11
    Favoritos4Desejados111Avaliaram57

    Nélida Piñon não publicava um romance inédito desde o premiado Vozes do deserto, de 2004. Um dia chegarei a Sagres é, portanto, per se, um acontecimento literário. A autora nos oferece um épico poderoso, passado no século XIX, em um Portugal profundo, produto da fé na tradição oral e na cultura da memória. Nélida move-nos – tendo Mateus, o narrador, como corpo; e Camões, o norte, como alma – pela terra, pelo chão que é também rio, até que a estrada seja o mar. A viagem – o lançar-se – é destino daquele povo. A represa – um mar inteiro a atravessar – é Vicente. O avô. Aquele que criou Mateus, filho da meretriz e neto de pai desconhecido. Um neto que encarna o campo português. Na trama íntima, plena de pujança, essas relações, em que a secura de gestos e palavras se impõe, Nélida Piñon faz desaguar alguns dos elementos que compõem o imaginário de sua ficção: não apenas a aldeia, mas o universo da aldeia; não apenas os animais, mas a sacralidade dos animais; não apenas Deus, mas a presença de Deus; não apenas o sexo, mas o sexo que rege o instinto indomável. Vicente, o cético, morre; é a represa levantada. Mateus vai, um Vasco da Gama inteiro em seus desejos. A aldeia fica. Mateus, desde o alto da colina de São Jorge, uma nesga de Tejo a ver, narra. Narra Amélia, a mulher do Oriente; quem sabe a esperança? Ainda Vicente, memória do passado, o legado do Infante D. Henrique. Sempre sob a fantasia eterna, obsessão de um dia chegar a Sagres. Narra a história de Portugal – de uma civilização – na saga do indivíduo, um camponês talvez intrépido. Impossível não encontrar no caráter deste fascinante épico de Nélida Piñon – deste livro de século – um novo A república dos sonhos, romance que é marco da literatura em língua portuguesa.

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    Resenhas (11)Ver mais
    Leonardo Jardim picture
    Leonardo Jardim20/09/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Cheguei a Sagres!

    Tudo enfim vai cabendo no meu horizonte infinito, onde a vida me ancorou. O corpo é meu, em pedaços. Com esse trecho, eu encerro essa incrível epopeia. A Utopia é um cumprimento fatal de um sonho nem sempre realizável Nesse romance de formação, um romance de memórias e sonhos, o peregrino Mateus, divide com o leitor, seus sonhos e amarguras. Uma história existencialista, narrada em primeira pessoa de forma impecável. A autora Nélida Piñon com sua erudição já conhecida, desperta em nossa consciência, através dessa história épica, contada de forma crua e sentimental, sobre qual é o limite de nosso ideal, mesmo que seus ideais, sejam somente seus sonhos. Vale ressaltar, o que restaria em uma comunidade pobre do século XIX, em que era controlada pelo clero e abandonada pela monarquia, a não ser pela Utopia? Um romance adorável, principalmente pela forma extraordinária em que foi escrita. A língua portuguesa é fabulosa!

    18 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 57
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas5%
    Nélida Cuíñas Piñón profile picture

    Nélida Cuíñas Piñón

    Quarta mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e primeira a presidir a instituição, Nélida Piñon é uma referência na literatura brasileira. Passando a ocupar, em 1990, a cadeira que antes pertencera a Aurélio Buarque de Holanda, foi eleita Secretária Geral da casa em 1995 e no ano seguinte já era a presidente da Casa de Machado de Assis. Nélida Piñon nasceu em Vila Isabel, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 3 de maio de 1937. Por ser de uma família originária da Galícia que há 70 anos vivia no Brasil, Nélida estudou por 13 anos na Espanha antes de cursar jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

    55 Livros
    71 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Nélida Cuíñas Piñón