Cabo de Guerra
Cabo de Guerra é um romance muito importante, pois nos faz refletir sobre o passado e a necessidade de não repeti-lo. O personagem principal, que curiosamente não tem nome — algo genial, pois ao longo da história percebemos que ele possui “duas vidas”. Eu achei o personagem bastante machista: ele não se alegra com as conquistas da mulher com quem se relaciona, quer sempre ser superior a ela e não se importa com quem acaba prejudicando. Senti também que ele busca se encaixar em algum grupo; aquela sensação de querer pertencer influencia suas escolhas, levando-o a se envolver em situações que ele mesmo mal compreende. A busca por validação parece guiar grande parte de suas ações. O livro aborda a ditadura militar, mencionando inclusive a tortura. Uma das partes mais desconfortáveis, mas ao mesmo tempo importante, não é excessivamente detalhada, evitando sensacionalismo. Outro tema muito interessante é a religião em meio ao caos: o protagonista tem visões que fazem com que as pessoas ao redor atribuam a culpa ao demônio. Seu avô era padre, o que conecta o personagem à fé, ainda que ele abomine a religião católica, chegando a se referir ao rosário como “mostruário”. Ao longo da história, percebemos os impactos das ações do personagem e da sociedade da época, especialmente de quem trabalhou para os militares. Sem dar muitos spoilers, é possível perceber que o romance traz reflexões profundas sobre moral, poder, religião e consequências das escolhas. Acredito que todo brasileiro deveria ler esse livro (assim como outros livros que se passam nesse cenário), pois é um livro que ajuda a compreender a história do país e os efeitos da ditadura, cujos impactos ainda são sentidos hoje.
